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| Fotografia da minha autoria |
«Viver não tem nada a ver com isso
que as pessoas fazem todos os dias»
As memórias - sentidas ou construídas - são vínculos que definem a nossa identidade e que nos permitem estreitar laços. Quando esta faculdade afetiva começa a deteriorar-se, há uma parte da nossa história a pender para o vazio, corroborando a fragilidade humana, até que alguém nos segura pelo braço, libertando-se da sua própria bolha isolada, e nos mostra a importância de cuidarmos do outro. Por isso, regressei a Afonso Cruz, descobrindo uma história que nos lê a alma.
«[...] quando penso nisso, percebo aquela coisa de que cada homem é um universo,
se não fosse não caberia tanto sofrimento dentro da cabeça de cada um»
Flores transborda humanidade, emoção e poesia. É um retrato impressionante do silêncio que grita, mas que continuamos a ignorar; da dormência, da dor, do amor e das relações dicotómicas, que tantas vezes sofrem com o conformismo e o marasmo da rotina. Além disso, leva-nos a refletir sobre a facilidade com que nos tornamos estranhos dentro da mesma casa e sobre a concentração dispensada em ninharias, perdendo o foco do que nos acrescenta. Protagonizado por personagens tão carismáticas, que funcionam numa dinâmica de espelhos, embarcamos numa viagem bonita de [auto]descoberta, de aprendizagem e de perdão.
«Da verdade espera-se tudo, sem ironia, espera-se tudo na sua forma
mais pura. Colar a verdade a um homem é a derradeira esperança»
Inspirado em acontecimentos pessoais, numa espécie de purga, Flores mostra-nos Afonso Cruz num registo diferente do habitual: mais cru, mas sempre com um elevado nível de sensibilidade. Assim, apresentando um traço de ironia implícito, este livro é, sobretudo, acerca da amizade, do companheirismo e da verdade. É sobre ser colo. E sobre sermos nós, independentemente da forma como os outros nos veem. Porque essa observação pode influenciar-nos, mas nunca deve definir-nos.
«É por andarmos sempre a magoar-nos uns aos outros que não nos
esquecemos uns dos outros, por causa das cicatrizes que deixamos»
// Disponibilidade //
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