No comboio vi um Senhor a preencher aqueles talões da lotaria e então lembrei-me de uma passagem de O Mandarim:

"nunca fui excessivamente infeliz (...) Só aspirava ao racional, ao tangível, ao que já fora alcançado por outros no meu bairro (...) As felicidades haviam de vir: e para as apressar eu fazia tudo o que devia como português e como constitucional - pedia-as todas noites a Nossa Senhora das Dores e comprava décimos da lotaria."

Pobre Eça! se cá chegasse hoje e visse que está tudo na mesma morria de desgosto...