Fotografia da minha autoria

«Lágrimas de quem se ama»

As ruas da cidade estão lotadas de gritos mudos

Do lado de fora da minha janela virada para o mar

Ouço os ecos da palavra liberdade

Mas nunca me senti tão presa como agora

É incrível como camuflamos o impossível

Como nos enganamos com propósito

Sem qualquer rasgo de misericórdia

Vendo o mundo num plano inclinado

De histórias engarrafadas em surdina

Sempre tão transparentes e invisíveis

Aprendi a calar o choro

Quando a vontade é explodir de raiva

Sorrio ao invés

Com o coração a amparar as balas

Que mesmo sendo imaginárias

Ferem-me, despedaçam-me

E com o corpo coberto de estilhaços

Insisto em não retirar a máscara

Até quando viverei enclausurada neste quarto?

Onde me tornei refém de mim?

Lá fora gritam a liberdade que eu invejo

Porque nunca fui capaz

De arrancar as tábuas de madeira

Que me impedem de ver o sol

Até quando?