Jorge Amado escreveu este romance em 1992 (em palavras do próprio "romancinho") para responder a uma solicitação de uma empresa italiana para assinalar os quinhentos anos da "descobrimento da América." A ideia inicial era criar um livro com três romances escritos por três autores originários do continente americano (um de língua inglesa, um de língua espanhola e outro de língua portuguesa). O projeto não se chegou a concretizar mas Jorge Amado, com a sua parte pronta, acaba por avançar com a publicação em francês e, no ano seguinte, em turco. Só em 1994 saiu a primeira edição brasileira desta obra.
O romance escrito de uma forma divertida mas também acutilante, conta uma sequência de episódios que acontecem numa pequena comunidade em que diversas culturas e crenças se misturam e convivem. As personagens, um pouco caricaturantes, representam os "turcos" (como eram chamadas as pessoas que descendiam dos primeiros árabes a vir trabalhar da "civilização do cacau").
Entre as personagens, temos entre outros, um libanês, Raduan Murad, um sírio, Jamil Bichara - que chegaram no mesmo barco à Baía em 1903 - e o muçulmano, Raduan. O enredo, conta a história de um casamento arranjado. Ibrahim Jafet, viúvo e pai de três mulheres (Samira, Jamile e Fárida), quer casar uma das suas filhas. Mas Adma é, além de muito pouco atraente, uma mulher severa. Àquele que desposar a sua filha, Jafet oferece sociedade no "Barateiro", a loja familiar que começa a perder clientes por má gestão e pelo pouco interesse demonstrado pelo próprio depois da morte da mulher (mãe das suas filhas, que era, afinal, quem punha "ordem na casa").
Para mim, foi um livro divertido e que se lê muito rapidamente, mas que nem por isso deixa de conter assuntos profundos. De certa forma, o autor "brinca" com a chamada descoberta (de um continente e dos seus habitantes que já existiam) transpondo para o início do século XX essa mesma "descoberta" e referindo-se à influência das outras culturas na comunidade local.