No final do livro de Rosa Montero «O perigo de estar no meu perfeito juízo» há uma entrevista a Doris Lessing, Nobel da literatura. A entrevista é interessante, mas o que me mais me chamou à atenção foi este excerto:
- Nas suas memórias refere-se de passagem a uma época em que sofreu imenso...
- Ah, sim, está a falar da época da minha depressão... Foi uma dor tão grande, tão forte... Creio que compreendo o que é a dor, sabe? Suprimimos coisas da nossa consciência, reprimimos sentimentos e trazemo-los enterrados no fundo do coração. (...) Importante é saber que acontece assim: que um dia, de repente, inesperadamente, cai sobre nós toda essa dor e nos inunda, e então temos de nos interrogar sobre em que é que teremos estado sentados, o que teremos estado a silenciar a nós próprios durante todos os anos anteriores.
Como ainda não tinha lido nada da autora, fui logo procurar alguma coisa à biblioteca e trouxe este exemplar velhinho de 1988, colado a fita cola.
Em «O quinto filho», temos um casal Harriet e David que vivem obcecados com a ideia de terem uma família grande. Compram uma grande casa vitoriana onde tencionam ter uma família feliz com 6, 8, 10 filhos... No início, tudo corre como planeado. Vamos lendo sobre um primeiro filho, um segundo filho, uma casa cheia na Páscoa e no Natal com a família nuclear de Harriet e David no centro de tudo. O sonho a tornar-se realidade. Claro que já sabemos que, quando chega o quinto filho, tudo muda. Também por isso, queremos ler até chegar ao quinto filho.
Não só Harriet tem uma gravidez e um parto difíceis como Ben - o quinto filho - é uma criança particularmente cruel e estranha que vai destruindo, aos poucos, o sonho de uma família feliz.
Gostei bastante, apesar da história ter tomado um rumo que não esperava. Agora, só me resta decidir o que ler a seguir desta autora que escreveu sobre tudo e mais alguma coisa. Têm alguma recomendação?
