05
Out19
Elsa Filipe
Até aos primeiros anos do século XX, o país viveu em monarquia. Portugal era um país pobre e onde o investimento era desajustado. Saber ler não era prioridade e em 1890, "76% da população portuguesa maior de 7 anos não sabia ler nem escrever." As famílias , normalmente muito numerosas, tinham outras preocupações. A fome, o frio e as doenças, matavam milhares de habitantes. A República não veio trazer apenas mudanças na governação do país. A República veio pôr em prática os ideais educativos que já se tentavam impor em Portugal, tal como na Europa, mas que se viam barrados.
Com a chegada da República, uma das principais tarefas era mudar a visão que se tinha da escola, a qual "passou a ser vista como o lugar privilegiado para a formação dos cidadãos." Até ali, a função de ensinar a ler e a escrever estava atribuída a tutores, normalmente ligados
à igreja e, com a laicização do Estado, isso teria de mudar. Esta separação entre ensino e religião fez com que em 1911, fosse "extinta a Faculdade de Teologia e proibido o ensino religioso em escolas civis."
A educação era considerada como o principal fator "do progresso das sociedades." No início da 1ª República, em 1910, "aproximadamente 76,1% da população portuguesa não sabia ler nem escrever. Era, dir-se-ia, a constatação de que a falta de instrução era a maior inimiga do progresso e de que essa mesma situação era habilmente mantida pelo poder vigente como forma de controlar a população."
As medidas passam pelo aumento do número de inspetores, pela melhoria dos salários dos professores e pela criação de novas escolas. Os adultos vão poder também aprender a ler e cujo "exemplo mais emblemático é constituído pelas Escolas Móveis pelo Método de João de Deus."
Aumenta para 5 o número de anos de escolaridade obrigatórios no ensino básico (em 1901 era de apenas 3 anos). O ensino infantil (o atual pré-escolar) e que já tinha sido uma ideia preconizada na "legislação de Rodrigues Sampaio (1878 e 1881) e pela de João Franco (1894 e 1896)," começa a ter mais importância. "De uma taxa de analfabetismo de 76,1%, em 1910, passou-se para uma taxa de 70,5% em 1920."
Muito foi feito, mas hoje, sim hoje, 2019, mais de cem anos depois, ainda existem pessoas que não aprenderam a ler e a escrever (embora numa taxa muito mais baixa) e muitas existem que, apesar de terem frequentado a escola básica, nunca de lá tiraram proveito.
Fontes:
https://www.infopedia.pt/artigos/$combate-ao-analfabetismo-na-primeira
https://www.publico.pt/2010/08/31/jornal/analfabetismo-e-educacao-popular-19905476