De regresso a Macau, confirmo que a área onde está inserida a Rua dos Mercadores é um dos lugares mais bonitos da cidade, com a vantagem de ter poucos turistas (e os turistas, aqui, serão uma das fontes de riqueza da cidade, mas são também uma autêntica praga para quem tentar atravessar a zona do Leal Senado e das ruínas de São Paulo, sobretudo ao fim de semana). Lojas de ferragens, retrosarias, casas de chá, estaminés de comida improvisados nos becos, vendedores de fruta e legumes, farmácias chinesas e tudo o que nunca se encontrará nas ruas brilhantes que conduzem às ruínas e onde já só há lugar para lojas de marcas internacionais, sapatarias desportivas iguais às de qualquer cidade do mundo e lojas que vendem bolachas de amêndoa e porco prensado, duas especialidades locais, sem que nada as distinga umas das outras. O contraste é de tal ordem que estas duas áreas, uma ao lado da outra, parecem pertencer a mundos distintos. Talvez pertençam.
Notas de viagem: Macau, Rua dos Mercadores
Texto originalmente publicado em Cadeirão Voltaire
