o caderno proibido.webp  

Acho que a definição de clássico que prefiro é a de que "passou o teste do tempo". Quando estou a ler um livro e me esqueço  que foi escrito em 1952, posso dizer que gostei muito e que é o meu género de clássico. Para não variar, não sabia nada deste livro quando o comecei a ler. Não conhecia a autora, não fazia ideia do tema ou de quando tinha sido escrito. Escolhi-o pelo título e por aquele instinto que nos faz pegar num livro e não noutro (e que tanto me faz descobrir pérolas escondidas como revirar os olhos ao terceiro capítulo). É aliás aquilo de que mais sinto falta nestes tempo de internet: entrar numa livraria e escolher um livro sem qualquer condicionamento, preconceito ou sugestão de outra pessoa. 

Fiquei deliciada às primeiras páginas deste livro, a premissa de comprar um caderno e começar um diário secreto é daquelas que irá, certamente, aliciar qualquer pessoa da minha geração, da geração que recebeu pelo menos um diário com chave ou que leu muitos diários na sua meninice - a verdade é sempre gostei do estilo diarístico. Composto por capítulos mais ou menos pequenos - entradas do diário de Valeria - ficamos a conhecer a família da nossa protagonista e, ao longo das páginas acompanhamos a Valeria que se descobre a si mesma.

Um parêntesis para realçar a maravilhosa ideia da auto-descoberta através da palavra, através do diálogo connosco mesmos, da escrita enquanto purga, caminho e crescimento. 

Mas foi, como é sempre, a forma como me revi em tantas páginas, a empatia fácil que criei com Valeria, a forma como senti que esta história é, ou poderia facilmente ser, verdadeira, ser de alguma forma a minha, que fez com que este rapidamente se transformasse num livro especial. Talvez nos erros, nas contradições, na fraqueza da protagonista que está a sua força. Pelo menos foi isso que mais me atraiu. 

Gostei, recomendo e um dia hei-de reler este belo diário.