29
Abr20
Maria do Rosário Pedreira
Faço muitas vezes letras de fados e canções para artistas que não conheço pessoalmente, mas que já ouvi cantar, nem que seja no YouTube. Há já uns meses que estou a trabalhar num projecto com um compositor cujos nome e trabalho conheço há séculos, embora nunca tenhamos sido apresentados; e, apesar de termos planeado encontrar-nos para acertarmos detalhes e nos olharmos olho no olho, veio o estupor do Coronavírus e já não foi possível (entretanto, o trabalho avança). É estranho criar com alguém que não vemos (e não me venham, por favor, falar do Zoom e do Skype, que não é nada a mesma coisa). Há cerca de duas semanas fui convidada para inspirar uma obra plástica à distância num projecto da Bienal de Cerveira. Estou entre 15 escritores que farão um texto com apenas 15 palavras para 15 artistas partirem deles para... criar uma obra em confinamento. E mais uma vez não conheço pessoalmente o artista que me calhou: Isaque Pinheiro. Vamos lá ver o que isto vai dar. Deixo-vos um link com os pormenores.
Hoje vou sugerir poesia, já que foi com poesia que colaborei para a Bienal de Cerveira. Leiam então, por favor, Epílogo, de José Agostinho Baptista. A sua obra mais completa possível. E tudo tão bom.