Hoje deixo-vos uma história infantil. Adoro a história de Aladino, um rapaz pobre que luta por vencer na vida, numa sociedade em que os ricos são muito ricos e os pobres muito pobres. As histórias infantis vão sendo adaptadas ao longo dos anos, mudadas ao longo dos séculos e apresentam versões diferentes conforme o local onde são contadas. Apesar deste conto ser um dos mais famosos da coletânea árabe As Mil e Uma Noites. Sabe-se, porém, que a história foi acrescentada à coletânea pelo orientalista francês Antoine Galland, responsável pela tradução que popularizou a obra no Ocidente.

A origem do conto é difícil de datar pela falta de elementos no texto que ajudem a situar a ação. Segundo o estudioso René R. Khawam, é possível que o conto tenha origem na segunda metade do século XI, entre a história de Simbad (fins do século VIII) e as Mil e Uma Noites (compiladas em árabe a partir do século XIII)." Outros supõem que pode ter uma origem ainda mais antiga tendo sido descobertos "paralelos com histórias contidas em papiros da Antiguidade helenística e romana do Egito." 

"Ainda outros autores creem que o conto de Aladino contém muitos elementos europeus - introduzidos na versão de Galland." Nesta versão e nas que nela se influenciam, Aladino é "descrito como um jovem adolescente que se recusa a aprender o ofício do pai, que é alfaiate, sendo descrito por sua mãe como imaturo, "esquecido que não é mais criança". Mesmo depois da morte do pai, quando tinha quinze anos, ele não se modifica – é travesso e prefere brincar a trabalhar. Por este motivo, é também descrito como mau e desobediente." Um jovem que facilmente seria enganado por um falso tio que se aproxima dele e lhe oferece um anel.

Numa cidade, vivia Aladino e a sua mãe. Eles eram muito pobres.
Um dia, aproximou-se dele um homem que parecia ser nobre e que o chamou e lhe disse que era seu tio. O homem ofereceu um anel ao jovem e pediu-lhe 
que o acompanhasse e, como se de uma ordem se tratasse, Aladino obedeceu.

De repente, o solo abriu-se e Aladino viu uma pedra com uma argola amarela como o ouro e o homem disse a Aladino:

- Levanta-a que é um tesouro.

Aladino obedeceu ao homem, que era um mago.
Ao levantar a pedra, uma cova abriu-se a seus pés.
- Desce e verás um tesouro monumental. - disse-lhe o mago.

Aladino desceu e viu riquezas fantásticas: moedas de ouro, pérolas
diamantes... mas depressa o mago gritou:

- Traz-me imediatamente essa lâmpada.

Aladino nesta versão "entra na caverna e pega" na lâmpada, "mas o mago" ou feiticeiro, "tenta ludibriá-lo na saída da gruta, e ele acaba preso na caverna com a lâmpada."


Aladino pediu socorro e ao rodar o tal anel, que o homem lhe oferecera, apareceu-lhe um génio, que lhe perguntou amavelmente:
- Que desejas meu amo?
- Quero sair daqui, ter um palácio para mim e muitas riquezas para dar à minha mãe.
Desde então, Aladino tinha tudo o que pedia.

Um dia apaixonou-se pela filha do sultão que era muito bonita. Graças ao génio, Aladino apresentou-se no palácio do sultão num coche de ouro, carregado de riquezas para a princesa.

O Sultão, ao ver que Aladino era bom, jovem e rico, concedeu-lhe a mão de sua filha, herdeira do trono. E casaram-se.

"Ao transformar radicalmente sua realidade pessoal tornando-se príncipe, transforma-se em adulto, casa-se e passa a ser o governador de seu reino."

Um dia, o malvado do mago apareceu-lhe disfarçado de mercador e trocou a lâmpada mágica por outra que não tinha poder mágico.
O mago, na posse da lâmpada mágica esfregou-a e pediu ao génio que lhe levasse o palácio e a princesa para um país longínquo e desconhecido.
E assim aconteceu.
Quando Aladino se apercebeu do que lhe tinha acontecido, lembrou-se que ainda tinha o anel e portanto um geniozinho.
- Traz-me a minha querida esposa, a lâmpada mágica, o meu palácio e envia esse mago maldito para um lugar de onde nunca mais possa voltar.
Dito e feito.

Noutra versão, quando invoca o seu génio, Aladino pede-lhe que o "transporte ao Magreb, onde mata o feiticeiro, recupera a lâmpada e traz de volta seu palácio."

A partir daí, a sua esposa nunca mais o deixou. 

Existem versões em que "tempos depois, o irmão do feiticeiro resolve vingar aquela morte, assassinando uma velha asceta e curandeira e, usando os trajes dela e imitando-lhe os modos, engana a mulher de Aladim e se introduz no palácio. Aladino, alertado pelo génio da lâmpada, mata o impostor." E todas terminam mais ou menos assim:

Aladino e a esposa, viveram muitos anos e foram muito felizes.