A batalha ocorreu no ano de 1779, durante a Guerra da Independência americana, numa comunidade portuária em Massachussets, que à época chamava-se Majabigwaduce. Os americanos têm sede de liberdade, enquanto os ingleses querem manter o porto de localização estratégica. Os ingleses possuem apenas três navios de guerra e uma pequena força em terra, regida pelo general de brigada Francis McLean e pelo Capitão Henry Mowat no mar.
As forças americanas são comandadas pelo general de brigada Peleg Wadsworth, pelo tenente-coronel de artilharia Paul Revere, estes sob o comando do general Lovell; e pelo comodoro Saltonstall, da marinha federal. Os americanos estão evidentemente em maior número, motivo pelo qual McLean determina a construção de um forte – o Forte George – para melhorar suas defesas.
Quem gosta de Bernard Cornwell já sabe o que esperar de uma de suas obras: uma batalha histórica marcante, normalmente envolvendo o exército britânico, e um personagem principal de forte caráter, geralmente um homem alto e forte, mas de origem humilde. É assim com Derfel (das Crônicas de Arthur), com Sharpe, Thomas de Hookton (na trilogia do Graal), Nicholas Hook (Azincourt) e Uthred (Crônicas Saxônicas). São características comuns aos livros, que não tiram o mérito e o talento de contador de histórias de Cornwell.
No entanto, O Forte não possui um personagem principal. Ou, melhor, a batalha e a construção do Forte George são os protagonistas. Nesta obra, Cornwell decide nos levar atrás das linhas dos dois exércitos, através dos olhos de seus comandantes. Tal traço do romance, por não ser habitual do autor, me encantou.
Somos levados a criar simpatias e antipatias com os oficiais de ambos os batalhões, e a estrutura mantém o leitor curioso pelo desfecho que, ainda que histórico, é surpreendente. Foi com a minha lealdade de leitora dividida entre Wadsworth e McLean que devorei mais uma história de Bernard Cornwell, e mais uma vez me deliciei com sua prosa.
Tendo o confronto como personagem principal, Cornwell é ainda mais visual em sua descrição de batalhas do que de costume. Sua qualidade gráfica pode enojar os mais sensíveis, mas é necessária para a criação da cena. O autor nos lembra constantemente que a guerra não é um negócio bonito, nem segue regras de ética e boa educação. Este aparente sensacionalismo é uma maneira bastante eficaz de nos transportar para a época, assim como o é a apresentação de trechos de cartas e ordens emitidos durante o cerco ao final de cada capítulo.
É uma história de erros e acertos, hesitação e incompetência, que retrata uma das expedições mais emblemáticas da história dos Estados Unidos da América.
O FORTE
Bernard Cornwell
Título original: The Fort
Tradução: Alves Calado
490 Páginas
Preço sugerido: R$ 49,90
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