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Nov11

Maria do Rosário Pedreira

Muito bom o último Philip Roth publicado em Portugal – Némesis. Uma história passada em Newark no ano de 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, no Verão que se seguiu ao desembarque na Normandia. Não se trata, porém, de um livro sobre a guerra (que, apesar disso, não deixa de estar presente), mas da chegada intempestiva de um vírus de poliomelite ao bairro judeu (e a outros bairros vizinhos) num período que é, obviamente, anterior à vacina. O protagonista do romance é um jovem atlético que toma conta de um grupo de crianças e adolescentes num campo desportivo durante as férias. Bucky (ou senhor Cantor, como preferirem), embora os casos não parem de aumentar entre os seus rapazes – e se tenham já verificado algumas mortes –, resiste estoicamente a abandonar o campo, apoiando os alunos e os respectivos pais. E, porém, quando a epidemia se instala, será acusado por alguns deles de ser responsável pelo contágio, tomando uma decisão que mudará completamente o seu destino. Roth é exímio em factores surpresa, pelo que o narrador deste romance se revelará apenas já passada a metade do livro. Mas é mesmo preciso chegarmos ao fim para apreciarmos este jogo fascinante de culpa e expiação, de doença e cura, de vingança como castigo para o único momento de fraqueza. Indispensável ler.