01
Set21
Maria do Rosário Pedreira
Caríssimos Extraordinários, espero que tenham tido umas férias repousantes e, sobretudo, com muitas e compensadoras leituras. Eu desforrei-me até poder, embora, com o calor, a idade e a descompressão, também tenha começado a cabecear depois de almoço e a cair numa espécie de torpor impeditivo de ler. Mas a vida é assim, não se pode ter tudo. Neste momento, em que (não se esqueçam) decorrem já as Feiras do Livro de Lisboa e do Porto, locais muitíssimo interessantes para os amigos deste blogue, tenho em mãos um «calhamaço» de um escritor holandês radicado em Itália, Iljia Leonard Pfeijffer, que é simultaneamente a história de um amor (o do narrador, que tem o mesmo nome do escritor, com a jovem aristocrata italiana Clio) e uma reflexão sobre o turismo de massas, o passado glorioso da Europa e o seu declínio no século XXI. Indo para um hotel decadente (o Grand Hotel Europa) escrever o seu livro (este livro, presumo) com o objectivo de lamber as feridas e fazer o luto da sua relação, o texto vai alternando uma parte mais romanesca com outra mais política e densa e ainda com a vida no hotel (o bagageiro jovem é um migrante chegado num barco de refugiados) e a busca do último quadro de Caravaggio por Clio, que é historiadora de arte. Na Holanda, Grand Hotel Europa vendeu loucuras. A tradução é de Maria Leonor Raven e trata-se de uma edição da Livros do Brasil.