Príncipe Encantado? Não Existe | Maria Afonso Sancho
Nós, mulheres, somos portais divinos para se chegar à Terra. Uma frase assim, logo no primeiro capítulo, prepara o leitor para uma abordagem pouco convencional ao tema do Príncipe Encantado, supostamente, o sonho de qualquer mulher. A autora não fecha a porta a um bom filósofo, especialmente se este foi feliz, viveu uma vida saudável e morreu em paz. Mas o melhor é jogar pelo seguro e meter no assunto um bom astrólogo (para os leitores que exibem um sorriso trocista, permitam-me que os esclareça: trata-se de uma ciência e dá pelo nome de Sinastria).
O segredo está em reconhecer o homem de qualidade, alguém que aprecie uma mulher difícil, seja dotado de uma boa educação, pratique as regras da cortesia e conheça o valor de uma boa surpresa ou de uma prenda de requinte. Confundir isso com machismo é de quem não conhece o caminho que leva ao príncipe encantado ou, no mínimo, ao tal homem de qualidade.
A diferença entre homem e mulher não se resume apenas à forma distinta de como vivem a sexualidade, também o seu papel na sociedade está perfeitamente estabelecido, a mulher cuidadora (que precisa de se sentir protegida e valiosa para o seu homem) e o homem provedor ( que precisa de se sentir respeitado e admirado pela sua mulher). Simples, nem um astrólogo o explicaria de forma tão eficaz. Claro que tudo isso não dispensa que a agulha bússola do homem funcione e lhe consiga apontar o caminho (estamos falados quanto ao papel da sexualidade numa relação saudável).
Claro que tudo isso exige um enorme esforço, a mulher, no seu papel de cuidadora não deve entregar a preparação das refeições a uma empregada e, no mínimo, deve supervisionar a sua confeção. Outra recomendação importante é que se invista numa casa para que o casal disponha de quartos separados, o excesso de proximidade anula a polaridade/atração.
Sendo uma pós-feminista, nisto dos homens de qualidade, a autora não se coíbe de citar um toureiro, Paquirri, onde parece encontrar o último reduto de virilidade e vigor masculino. Os jogadores de futebol são também matéria relevante de estudo. Para quem vê na mulher um portal do divino, tudo é muito físico, sendo o sexo o melhor regulador das aspirações materiais e sociais de um casal. Isto porque, inevitavelmente, os homens seguem quase sempre as indicações do “obelisco”. O que deve fazer a mulher? Agir como se fosse passear o cão: deixá-lo interagir, andar de árvore em árvore, ciente de que, no fim, ele regressará, feliz e contente ao aconchego do lar.
Neste mundo bipolar e regulado por um obelisco (necessariamente saudável), não existe lugar para desvios. Pornografia, masturbação, homossexualidade, prostituição, tudo desvios que uma mente saudável rejeita e, sobretudo, gente pobre que habita em casas minúsculas e sem empregados para assegurar as tarefas menos edificantes. Portanto meninas, não se esqueçam: Um homem de qualidade faz questão de honra de (v)os dar tudo o que querem(os). Portanto sejam(os) gratas.
Este livro, que se assume como Livro Proibido a Homens, é, para as mulheres, de leitura obrigatória sob pena de não conseguirem um homem de qualidade. Quanto aos homens, sigam mais vezes o vosso obelisco e, aquando da vossa higiene diária, não se esqueçam de dar um banho de água fria aos testículos. Maria Afonso Sancho escreveu um livro que é um tratado sobre a felicidade e sobre a perenidade do que, atravessando os tempos, sempre conservou o seu valor.
Para darmos o verdadeiro valor ao instinto de proteção, que os homens têm naturalmente por nós (mulheres) posso referir o que me contou um oficial do exército. Apesar da grande pressão social e política, para criarem grupos mistos para situações de combate, estes acabam por ser evitados. Pois se houver uma mulher ferida no grupo, todos os outros soldados esquecem a sua própria segurança, para protegerem a camarada de armas.
– “Príncipe Encantado? Não existe”, Lisboa, MIL/ DG Edições, 2019, 143 pp. ISBN: 978-989-54464-4-5