Há muito tempo que não lia um Astérix (embora tenha ouvido maravilhas d’O Lírio Branco, que o meu respectivo adorou), e cedi a este, porque, como todos nós que o quisemos ler por ser na Lusitânia e sermos portugueses, sou parola.

Acho que já venho tarde falar da quantidade excessiva de “opás” na história (eu acho que digo mais epá do que opá, mas adorava saber uma estatística de qual das duas é mais utilizada), que também me começou a irritar muito nem a meio do livro; mas acho que posso dizer que esta é uma história bem construída, com boa crítica social, quando podia ter sido formulaica e, arrisco - básica.

Esta é a primeira vez que Astérix e Obélix vêm ao actual Portugal, então Lusitânia, numa missão que mistura o humor usual da série com alguma história. O seu objectivo é provar a inocência de um homem acusado de utilizar Garum para tentar envenenar Júlio César. Ignorante me confesso, que desconhecia Garum, tive de googlar, fui à Wikipedia, é molho de peixe e soa terrível e claramente não sobreviveu aos tempos. Mas é esta narrativa que permite à dupla explorar a Lusitânia romana, a sua resistência, Viriato, jogando com referências culturais típicas como bacalhau, a pedreira que não serve para menires mas sim para construir a calçada portuguesa, pastéis de nata/Belém, vinho, fado e a melancolia, ameaças de porrada, um eléctrico puxado a cavalos e azulejos - sem esquecer a saudade, aqui personificada numa mulher por quem Obélix se apaixona.

Se este é um Portugal contemporâneo visto de fora e adaptado à época romana, a crítica é certeira, não só pelos estereótipos utilizados mas também pela corrupção, pelas start ups, pela descrição do capitalismo. Exagerado em partes (o “opa” é certamente exagerado), Fabcaro e Didier Conrad acertam em cheio noutras.

O retrato de Portugal é verde, atlântico, vibrante, e com detalhes bastante reconhecíveis. Embora sim, irrite nas repetições (não obstante ser um livro curto), e possa ser uma viagem talvez menos gentil que Astérix e Cleopatra, é sem dúvida uma boa leitura e não me arrependo de ter cedido à pressão e à parolice.

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