DESFAZ-SE no brancor angelical das ondas
manhã de abril, o azul em tudo, o mar em mim
soprando aquele adeus. Na luz do peito aberto,
os sonhos que perdi, as juras de um amor.
Deixei no sal do mar o sal de todo o pranto
de todo o pranto azul que em gota refletia
o abril daquele céu, sem pérola de nuvem,
e um outro mar descia às ondas de meu rosto.
Adeus! Palavra que guarda em seu fundo o sopro
da morte de um passado, o estrondo do silêncio
e que na tempestade de uma noite infinda
apaga o último farol das ilusões.
Na tinta esmeraldina de uma doce tarde,
hoje já morta, pálida lembrança, resto
de um sonho gracioso, à flor de seus cabelos
em juras consagrei o amor de meus delírios.
Em vão! De um riso evanescente, o seu reflexo
é tudo o que eu guardo, o sal das ondas brancas,
o peito apunhalado pelo céu de abril,
e o mar impiedoso, a sussurrar: adeus.
GABRIEL RÜBINGER
Quadro: Shadows on the sea at Pourville - Claude Monet
