Fotografia da minha autoria

«A terra gira em contramão»

Os teus sonhos são irrisórios pedaços de neve

Esvoaçantes dentro do globo que transporto na mão

Sendo tão certas as suas reviravoltas

Sem embarcar numa estrada em linha reta

Cujo peito cimentado se desfoca a cada instante

O tempo corre longo

Ao longe, sempre cruel

Hesitante nos sinais de redenção

Neste princípio do fim

Erguem-se muralhas ao teu redor

Protegendo-te de lamentos

E de perversos sentimentos primitivos

E eu estou suspensa

Neste jogo sem regras definidas

Brincando com a ilusão dos meus tormentos

Diminuindo a existência do traço puro

Somos partículas de escuridão

Questionando a esperança

E o céu cheio de estrelas cadentes

Já não vejo o sol dos nossos dias

Serenos e cheios de graça

Aguardando outra demonstração de fé

Arrebatando o futuro

Guardando-o numa caixa de madeira vazia

Tremem-me os desejos

Em palavras mudas

Que se fragmentam em pó de fada

Os teus sonhos vão ao fundo

Voando dentro de um globo de neve enevoado

Onde te espero expectante

No final do arco-íris