"A Floresta de Mãos e Dentes" de Carrie Ryan (a ser publicado pela Edições Gailivro em Junho de 2010)

Sinopse:

No mundo de Mary há verdades muito simples:

A Irmandade é quem sabe o que é melhor.

Os Guardiões irão sempre servir e proteger.

Os desconsagrados nunca descansam

Opinião: 
Primeiro, deixem-me tirar algo do sistema, sim?
Em que terra é que isto é um título juvenil? Quer dizer, eles têm tantos problemas com descrever sexo em livros para jovens, mas não há problemas em decapitar cabeças, matar dezenas de pessoas, e etcetra e tal?
Não me entendam mal. Eu acho que a maioria dos jovens tem maturidade suficiente para ler estas coisas, assim como acho que poderiam muito bem ler sobre sexo sem que fizessem uma algazarra disso. E o problema está aí! Se são suficientemente maduros para ler umas coisas, porque não as outras também?
E agora que já disse isto, continuemos ao que verdadeiramente interessa ... o LIVRO!

Quando comecei este livro tinha algumas expectativas, por já ter ouvido falar muito bem dele e também porque adoro histórias de zombies. E talvez por ter expectativas, fiquei desapontada com o início. Custou-me imenso adaptar à voz narrativa da história, falada na primeira pessoa e no tempo presente, algo que me deixava com os nervos à flor da pele, talvez por não estar habituada a ler livros narrados desta forma, mas a verdade é que o texto parecia forçado e a acção não fluía com o compasso certo.
Depois dos primeiros capítulos, esta minha inquietação (ou birra) começou a desaparecer, à medida que me habituava, até que no fim já não me chateava.
A acção deste livro corre, literalmente. Tudo nos é mostrado pela perspectiva da Mary, que questiona tudo e todos à sua volta, o que é bom pois, sem parecer ser forçado, ficamos a conhecer o mundo em que ela vive, as suas regras e a forma como as pessoas agem.
Embora possa dizer que todas as personagens eram únicas e muito distintas, também posso dizer que não gostei de nenhuma delas, à excepção do Argos (o cão) que era um fofo e muito corajoso. Sinceramente, não percebo muito bem porque isto aconteceu pois todas as personagens são muito realistas, com falhas e virtudes. Há alturas em que as quis abraçar e outras em que só quis ter uma mão literária para lhes dar um enxerto de porrada, e mesmo assim, nenhuma me marcou o suficiente para poder dizer que gostaria de ler outro livro com elas.
Mas, numa coisa este livro ganha pontos. A autora poderia ter levado isto para o lado romântico. Havia muitas hipóteses para tal, mas ela decidiu focar-se no sonho da Mary, mostrando assim que não devemos abdicar daquilo em que acreditamos por um amor que pode ser fugidio. Isto é algo que não se vê muito nestes livros para jovens. Só no fim consegui entender totalmente o porquê das escolhas e acções de certas personagens, o que é bom porque o leitor gosta que as coisas se desenrolem aos poucos e não que tudo seja mostrado ao molho (e fé em Deus?).

Posso dizer que foi um livro que entreteve bem, cuja acção escorreu num compasso certo, com personagens tridimensionais, um mundo exuberantemente explorado, que não poupa na violência, não avisa antes da morte bater à porta (porque a vida também é assim) e que consegue convidar à leitura compulsiva, depois dos primeiros capítulos. No entanto falhou na descrição morosa, que não teve profundidade, na voz narrativa que chegou a ser monótona e, principalmente, falhou na Mary, que é das personagens mais fortes e ainda assim chatas que eu já li. Podia amá-la pela sua tenacidade, mas ao invés odeio-a pela sua mentalidade "só vê aquilo que está à frente". Por mais que concorde com o facto de ela querer chegar onde deseja, não posso ainda assim aceitar o facto de ela não pensar nos outros quando age de forma irracional. podia ser uma característica da personagem, mas se assim é, então a autora não podia esperar que gostássemos verdadeiramente dela.
Só tive pena foi de não apanhar verdadeiros sustos. A história não era totalmente previsível mas não cheguei a ficar com verdadeiro receio.

Edição: 

Infelizmente a edição de capa dura que eu tenho traz um defeito muito mau: o miolo do livro está mal colado, o que faz com que o livro pareça partir-se ao meio a cada página.Mau, mau, mau! Uma pena ...

Capa (Hony Werner) & Design: 

Confesso que adoro a capa. Talvez seja o contraste vermelho com preto, mas também digo que a capa não tem muito sentido. Quero dizer, eu pelo menos não vejo o sentido. Aliás! Eu percebo que queriam (possivelmente, e corrijam-me se estiver enganada) retratar a veste vermelha de uma certa personagem que corria como o vento. Também imagino que ainda tentassem com essa veste vermelha, fazer o pano assemelhar-se a uma mão predatória, mas a meu ver falharam. Eu olho para a capa e não sei bem o que aquilo simboliza. Gosto dela, mas continuo sem perceber o significado.

Nota:  Este é o sexto livro que vou submeter como sendo para o Desafio Thriller & Suspense, já que se insere no género.

Já quase me esquecia que este livro tem um booktrailer fabuloso. Vejam:

Também podem ver o booktrailer da sequela AQUI.