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Set23

Maria do Rosário Pedreira

Mas o melhor era o banho ao fim da tarde, quando o Sol descia e ficava enorme e cada vez mais encarnado, e o mar estava primeiro verde e depois verde mais escuro, e a seguir azul, e depois anil e depois quase preto. E a água estava quente, quente, e havia cardumes de peixes muito pequeninos nadando entre as algas avermelhadas.

E dava gosto mergulhar e dar beliscões nas pernas das mulheres, para que gritassem. E depois que o papá e o tio Arturo e o marido da titi Josefina nos pusessem às cavalitas e nos deixassem atirar-nos dos seus ombros para a água. E depois que um de nós fosse agarrado por dois adultos pelas pernas e os braços e que eles nos atirassem ao ar e dissessem «Cai na água como um gato», e as mulheres, com o traseiro inchado como um balão debaixo do fato de banho em forma de pêra, dissessem: «Não façam disparates com as crianças». E então os homens diziam-nos «Vamos pregar-lhes um susto» e nós corríamos atrás da mãe e das tias e das outras senhoras e elas saíam da água aos gritos e fugiam pela praia fora até que as apanhávamos e as levávamos agarradas até à beira-mar e ali elas sentavam-se na areia cheias de medo e a tia Honorina quase chorava, dizendo ao marido «Não, não, por amor de Deus, Arturín». E nós partíamo-nos a rir quando dizia «Arturín», e chamávamos «Arturín» ao tio Arturo pelo menos durante uma hora, até que nos cansávamos. Mas depois dávamos todos as mãos (e as mãos das mulheres tremiam) e entrávamos juntos a correr na água e atirávamo-nos de cabeça, mas as senhoras não, sentavam-se e ficavam onde a água não passava de três dedos, rindo como galinhas chocas.

Julián Ayesta, Helena ou o Mar do Verão