Fotografia da minha autoria

«Seja luz. O mundo anda demasiado escuro»

Noite cerrada no peito

Sem um rasgo de luz

Na alma de quem me quer

Abro a janela e vejo o mundo

Neste tom luzidio

De laranja ao fundo

E um trilho em construção

Cai a noite no cais

E eu respiro com calma

E com fé que amanhã 

O dia chegue

E que me abrace

Com o seu sol 

De inverno-carmim

O horizonte está longe

Observo e fraquezo

Mantenho-me instável

Intacta balanço 

E num impulso

Mergulho de vez nesta chama.

É noite no rio

E o aroma doce a casa

Reveste-me o corpo perdido

E o silêncio desta cidade despida

Incendeia-me os pensamentos turvos

Sento-me a um passo da ponte

Cortando a escuridão do caminho

Permito que me iluminem

E adormeço serena

Enquanto, de barco à deriva,

Flutuo em direção às estrelas