| Fotografia da minha autoria |
Tema: Um livro festivo
O meu conceito de festa inclui um cenário mais intimista, na companhia de familiares e amigos. Portanto, esta perspetiva foi a justificação perfeita para a escolha da última leitura para o Uma Dúzia de Livros. Primeiro, ponderei um livro natalício, mas mudei de ideias, porque, ao descobrir a obra de estreia da Rita da Nova e do Guilherme Fonseca, percebi que a troca de galhardetes era uma festa demasiado preciosa para não a partilhar.
«Quando vou sozinho, agarro em arroz e ponho-o no carrinho. Quando vou
com a Rita, é preciso admirar a prateleira do arroz como se fosse o pôr do sol»
Terapia de Casal é o formato físico do podcast com o mesmo nome, privilegiando a mesma dinâmica e, ainda, a mesma imagem de marca: a discussão sobre «coisinhas insignificantes que dividem os casais no dia a dia». À medida que avançamos nos textos - 15 da autoria da Rita e 15 da autoria do Guilherme -, ficamos com a sensação de estamos a escutar um episódio, até porque há expressões tão identitárias, que imaginamos as suas vozes a reproduzi-las. Assim, é fácil decifrar que cada argumentação transparece as suas personalidades.
«O carisma das histórias está nos detalhes»
O tom humorístico, que ambos partilham, torna a leitura célere, fluída. E a verdade é que me ri bastante com as intervenções de cada um, porque conseguem explorar várias adversidades, nem sempre abordadas entre casais, de uma forma descontraída - por vezes, talvez um pouco mais excessiva que o necessário, mas apenas para marcar bem os seus pontos de vista discordantes. Evidenciando a competição que os caracteriza, este livro é fantástico: quer pelo conceito, quer pelo grafismo. Além disso, é de valorizar a atenção ao detalhe.
«É ao ver a paciência que a Rita tem para mim que fico com
a certeza de que vamos ficar juntos até sermos velhinhos e morrermos»
Terapia de Casal tem peripécias hilariantes e a capacidade de incluir ouvintes e não ouvistes do podcast. Porque há textos novos e independentes e QR Codes que nos encaminham para episódios específicos - com a ressalva de a abordagem não ser exatamente igual. Como se estes aspetos não fossem suficientes para percebermos a qualidade do manuscrito, cada texto tem direito de resposta e o leitor pode registar se é #TeamRita ou #TeamGuilherme. Apesar de ter sido renhido, o resultado foi o que antevi: sou #TeamGuilherme.
«Como é que é suposto eu distinguir os objetos da
minha casa que são só para ver dos que são para mexer?»
Conseguiram superar todas as minhas expectativas para esta leitura, até porque a forma como nos contam as suas histórias é mesmo envolvente. É por isso que este será um dos meus livros favoritos do ano - e da vida.
«Quem diria que uma Calathea faria da minha mulher uma Robina
dos Bosques, a roubar dos ricos em folhagem para dar aos pobres de terra»
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