Fotografia da minha autoria

«Quatro mulheres. Três cidades. Um século»

Avisos de Conteúdo: morte, suicídio, 

saúde mental, abandono, cenas explícitas

As pessoas são feitas do tecido que são feitos os sonhos, como expressou Shakespeare. No entanto, também acredito que há linhas invisíveis que nos unem e que nos orientam para o mesmo comprimento de onda. Portanto, por mais improvável que aparente ser, existem vidas que se cruzam, como se fossem um complemento ou tivessem estado sempre em sintonia. E é neste registo que desvendamos o livro de João Tordo.

«Se puser as coisas assim, romance e vida real, nunca sairemos disto»

A Mulher Que Correu Atrás do Vento multiplica-se em quatro vozes, para compreendermos o impacto que determinadas problemáticas assumem na jornada de personalidades tão distintas - e desconhecidas -, mas sem ocultar dores individuais. E é esta capacidade que, para mim, torna a narrativa tão magnética e profunda. Porque abre portas a temas delicados, que nos levam ao limite das emoções e da empatia. Além disso, numa teia de testemunhos tão intensos, é percetível que existe uma procura constante por sentido, por paz e, claro, por equilíbrio.

«E percebi que a odiava tanto que até o amor poderia brotar desse sentimento»

O autor, através de uma escrita que [me] inebria, construiu um espaço e um tempo que são um retrato fiel dos fantasmas que nos atormentam, do abandono que dilacera, de quanto é frágil a nossa saúde mental e de como há circunstâncias que alimentam a nossa loucura e despertam um lado vulnerável em nós. E é impressionante como desenha o desenrolar da ação, de modo a que as barreiras geográficas e seculares não sejam uma limitação, mas, antes, a prova que há acontecimentos transversais a várias gerações. Porque existem forças que nos transcendem a todos.

«A minha doença é estar viva»

Esta obra incentiva-nos a refletir sobre uma série de questões, até porque evidencia as camadas mais sombrias e melancólicas do ser humano. Assim, leva-nos numa viagem intimista, sensorial, na qual as artes, a ambição desmedida, a perda e a expiação são protagonistas. Em simultâneo, mostra-nos a necessidade de reconhecer a solidão que abraçamos em silêncio e de aceitar que o fracasso faz parte do processo. E na tentativa de preencher o vazio, sentimos a urgência de prosseguir na leitura, mesmo que nos custe, porque não queremos largar a mão destas quatro personagens alucinantes e bastante carismáticas.

«O amor não é um gesto, Artur. É o mesmo gesto repetido ao longo do tempo»

A Mulher Que Correu Atrás do Vento é um livro dentro de outro livro, cujo denominador comum é o poder do amor, encaminhando-nos para um final que nos deixa em suspenso: visto que é uma incógnita do futuro.

«Perdemos as pessoas, elas desaparecem um dia e, quando 

tornamos a lembrar-nos delas, descobrimos que é tarde de mais»

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