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| Fotografia da minha autoria |
«E guardas-me inteira na alma»
O mundo estende-se além fronteiras, por um horizonte imenso que tanto nos inibe, como nos impulsiona a avançar; a perdermo-nos nesse desconhecido, ao qual procuramos atribuir um sentido. E é nesta travessia - tão desigual e emaranhada de emoções - que nos vamos edificando. Além disso, é transformador, quando somos embalados por melodias que reconhecem essa realidade: porque nos reconhecemos na sua essência.
Rita Vian tem sido uma das vozes mais impactantes neste caminho de autoconhecimento, fazendo da sua arte um palco para questões que nos movem e inquietam a todos. Concentrando-se no seu quotidiano e «na crueza de escrever sobre a sua vida», lançou o EP CAOS'A, que é uma evidente demanda «por algo que nos faça sentir que existe um propósito». No mesmo compasso, ainda que privilegie um traço mais intimista, não deixa de explorar, nas suas letras, uma certa portugalidade, levando-nos por uma viagem transversal e identitária.
Um dos aspetos que mais me fascinou e surpreendeu neste álbum foi a capacidade subtil de interligar o tradicional com o moderno, atendendo a que, partindo das suas raízes de fadista, recriou a sua imagem com uma sonoridade eletrónica. Continua a transmitir a dor como só o fado é capaz, porém, acrescenta-lhe um novo ritmo, uma nova harmonia. No fundo, um novo rumo. E a certeza que é um género versátil, com potencial para se alicerçar em bases distintas. Em simultâneo, as cinco canções que o compõem mostram-nos que tudo é uma fonte de inspiração. Porque existe uma linguagem em cada olhar, em cada gesto e em cada passo.
CAOS'A funde os estilos que marcaram o crescimento da artista, expiando a saudade, o amor e os pensamentos ora profundos, ora triviais. Com produção de Branko, é um espelho da condição humana. E a poesia da escrita provoca-nos uma cadência que nos faz olhar para dentro, ao mesmo tempo que nos liberta.
