14/05/2010

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”

Com uma narrativa semelhante ao “Notas de Subsolo” , do escritor russo, Dostoievski –Angústia é a história de Luis da Silva, um doente e velho funcionário público dono de uma casa simples, com móveis simples, textos simples, namoricos simples; por fim, uma vida mais que enfadonha. Ah, sim. Simplicidade infestada de ratos.

Narrado na primeira pessoa, o romance de Graciliano Ramos – meu primeiro contato com o autor – assemelha-se, e muito, aos últimos textos feitos por mim e o Leonardo (quando escrevo “assemelha-se” me refiro à linguagem simples e ao tema da velhice e morte).   O trecho que destaquei evidenciará o que escrevi:

“Vivo agitado, cheio de terrores, uma tremura nas mãos, que emagreceram. As mãos já não são minhas: são mãos de velho, fracas e inúteis.”

Mas não só de reclamações inúteis vive o Luis da Silva, algumas são geniais. Vejam só:

“Os livros idiotas animam a gente. Se não fossem eles, nem sei quem se atreveria a começar.” (Perfeito! Principalmente para nós que estamos a nos enveredar nesses caminhos tortuosos da escrita)

Estou na metade do livro. Tenho muito coisa interessante para ler. Por enquanto é isso. Obrigado.