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Mar24

Elsa Filipe

Morreu este domingo o poeta Nuno Júdice com 74 anos.

O poeta era natural de Portimão, mais propriamente da Mexilhoeira Grande, onde nasceu em 1949. Formou-se em "Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa," tendo sido também professor de "Literatura francesa na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa." Nuno Júdice acabou por ser considerado por muitos, um dos "mais importantes nomes da poesia contemporânea."

O seu primeiro livro foi “A noção de poema”, editado em 1972, ainda antes de se ser livre de dizer (e escrever) o que se queria. O próprio título do livro, "indicava uma atitude poética muito auto-reflexiva, integrando as próprias questões internas da poesia. Havia nesse livro uma atitude próxima de uma neo-vanguarda, de que o poeta se distanciará." É publicado três anos depois, a obra "O Mecanismo Romântico da Fragmentação (1975)" a qual trazia ainda "a mesma atitude poética auto-reflexiva, que adquire uma dimensão muito mais elegíaca e em diálogo com a tradição romântica em títulos como 'Um Canto na Espessura do Tempo' (1992), 'Meditação Sobre Ruínas' (1995, Prémio APE) e 'O Movimento do Mundo' (1996)."

Em 1992, foi ainda comissário para a "área de Literatura da Exposição Universal de Sevilha."

Nuno foi galardoado com diversos prémios, "dos quais se destaca o Prémio Ibero-Americano Rainha Sofia atribuído em 2013. Em 2018, foi galardoado com o prémio PEN do Clube Galego e em 2021, foi distinguido com o Grande Prémio de Poesia Maria Amália Vaz de Carvalho da Associação Portuguesa de Escritores (APE) pela publicação do livro 'Regresso a um cenário campestre', editado em 2020."

Nuno Júdice foi também "finalista do Prémio Europeu de Literatura pela obra 'Meditação sobre ruínas' que em 1994 já tinha sido distinguida também pela APE."

Em 2022, é apresentado o volume '50 anos de poesia' (1972-2022), "que reúne o seu trabalho poético durante meio século." Para além de poeta, Nuno Júdice, trabalhou também como "professor na Universidade Nova até 2015, tem obra publicada como ensaísta, nomeadamente sobre a literatura portuguesa da Idade Média aos tempos atuais." Produziu também várias "obras de ficção e traduziu e organizou antologias."

Na sua tese de doutoramento, abordou o “Espaço do conto no texto medieval”. Assumiu também a "liderança do Instituto Camões em França," substituindo Eduardo Prado Coelho, bem como o de "conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Paris," entre os anos de "1997 e 2004." Foi "diretor da revista 'Colóquio', da fundação Calouste Gulbenkian."

Fontes:

https://observador.pt/2024/03/17/morreu-o-poeta-nuno-judice-aos-74-anos/

https://www.publico.pt/2024/03/17/culturaipsilon/noticia/morreu-nuno-judice-poeta-eterno-retorno-2083925