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Dez14

Maria do Rosário Pedreira

Se nos perguntam lá fora sobre a poesia portuguesa, há um nome que nos vem aos lábios sem quase pensarmos: Herberto Helder. Se pedem que indiquemos o nome de um autor português que deveria ser proposto para um superprémio literário, dizemos logo Herberto Helder, embora sabendo que o recusaria (porque ele é mesmo assim). Herberto – como se lhe referem quase todos – pode ser um homem peculiar e difícil, mas julgo que se diverte muito a, de tempos a tempos, reformular a sua obra completa, oferecendo-nos um novo volume, que não é de modo nenhum o anterior acrescentado com o que escreveu entretanto, mas um livro do qual cortou o que quis que não voltássemos a ler e a que somou alguma coisa. Este gesto tem sido objecto de muita reflexão e crítica, mas tenho simpatia por um autor que decide sozinho sobre a própria obra e só permite que dela se leia o que, em determinado momento, lhe dá na gana (bem sei que tenho volumes anteriores da obra reunida e talvez por isso me sinta menos lesada do que muito boa gente). Isto para dizer que temos de novo uma antologia da poesia de Herberto Helder, desta vez com o título Poemas Completos. Um excelente livro cartonado de capa sóbria com 700 e tal páginas de poesia a não perder (e a guardar, pois pode desaparecer na próxima edição). Não sei qual foi a tiragem, nem se haverá uma espécie de caça doentia aos livros, mas lá que dava um bom presente de Natal, se chegasse até ao Natal, lá isso dava.