Neste livro de auto-ficção, Tom conta a história de como a mulher (Karin), grávida da filha, ficou doente. Numa daquelas sucessões da vida em que tudo o que pode correr mal, corre mal, Karin é diagnosticada com uma leucemia mieloide aguda. Karin acaba por morrer pouco depois do nascimento da filha, Lívia. Para complicar (ainda) mais as coisas o pai do Tom também tem cancro e o autor foca-se bastante nisso mais para a terceira parte do livro.
É difícil dizer que gostei deste livro, é um daqueles casos em que é tudo mau, mas ao mesmo tempo não conseguimos parar de ler. Tom escreve sem grandes floreados e sem ser lamechas. Ora está a contar algum acontecimento de forma quase jornalística, ora faz "zoom" em detalhes que acabam por explorar as entrelinhas do que está a acontecer. Como Tom disse numa entrevista, este livro é uma tragédia grega sobre aqueles meses da sua vida:
It’s all ultimately about working with what happened, fashioning the truth into something that lets me tell you what it was to lose my wife and my father at the very same time I was becoming a father myself. I’d say the book is more like a Greek tragedy than a memoir.
Confesso que gostei muito mais do livro e da escrita do autor do que esperava (até porque li uma boa parte do outro livro publicado em português - Todo o ar que nos rodeia - e desisti porque não estava a gostar). Por razões óbvias, não é definitivamente um livro recomendável para grávidas.
