Fotografia da minha autoria

«Ler é pensar duas vezes. Pensa connosco»

A fachada ecoava no meu imaginário, qual tema que cantarolamos sem parar, tecendo cenários improvisados que me permitissem criar a imagem do seu interior. Não fui bem sucedida neste exercício, porque estava longe dos seus traços. Mas, ao passar a soleira da porta de uma das livrarias que mais queria conhecer, percebi que o espaço é muito mais encantador do que sonhei - do que teria capacidade de reproduzir. Afinal, este livro aberto é feito de narrativas intermináveis. E as histórias caminham todas de braço dado, em perfeita harmonia.

A FONTE DE LETRAS

Os portões azuis [e as ilustrações na sua tela branca e amarela] escondem um lugar mágico, com pequenos refúgios no interior, que se torna apetecível para várias faixas etárias, atendendo a que apresenta um catálogo bastante diversificado e áreas para miúdos e graúdos. E, como se chegássemos a casa, encontramos uma sala de estar aconchegante e uma divisão para a qual as crianças podem correr e embarcar nas aventuras mais surpreendentes. O mais fascinante é que, embora não seja enorme, parece que a livraria não tem fim.

A Fonte de Letras nasceu em Montemor-o-Novo, em 2000, onde começou a escrever a sua história. Treze anos depois, em julho, «mudou-se de prateleiras, livros e bagagem [...] para que tudo fique como sempre foi». Portanto, quem a quiser descobrir, apenas tem de seguir caminho até à Rua de Vasco da Gama, em Évora.

LIVROS CULTURA E ARTIGOS LITERÁRIOS

O mundo habita dentro destas quatro paredes, proporcionando-nos uma viagem plural, porque tanto acolhe as novidades editoriais, como não esquece as pequenas e raras editoras. Além disso, liga-nos a vários géneros literários e a uma vasta coleção de literatura infanto-juvenil. Ainda assim, nem só de livros se faz esta livraria.

A programação cultural é regular e tem um pequeno espaço para exposições de artes plásticas. Como se este cuidado não fosse suficiente, é um local «onde também se pode beber um café biológico Balzac, um chá Earl Grey Virginia Woolf e saborear o literário biscoito Jane Austen Ring». Para finalizar com chave de ouro, dispõe de artigos literários, que podemos adquirir para uso pessoal ou, também, para mimar as nossas pessoas.

Houve, em simultâneo, um detalhe que achei extremamente amoroso: logo na entrada, têm uma máquina da qual é possível tirarmos um poema, mediante a introdução de uma moeda [não me recordo do valor, confesso]. Arrependo-me de não o ter feito, porque já estava de saída, mas fica a anotação para quando regressar.

O QUE VEIO COMIGO

Ficaria horas a desfrutar deste espaço, que me conquistou com os seus pormenores lindíssimos e que me recebeu tão, tão bem. Para não morrer de saudades, trouxe um bocadinho da Fonte de Letras na bagagem.

Assumi o compromisso de só voltar a comprar livros na Feira do Livro do Porto, mas os meus pais quiseram oferecer-me um - e ninguém contraria os pais nestas condições. Por isso, optei por trazer um exemplar de uma autora portuense que não conhecia, e cuja premissa parece muito promissora: O Rapto, de Dora Fonte. Como o desafio apenas se relacionava com obras literárias, aproveitei para comprar mais um saco de pano.

   

Um visitante referiu que «esta livraria é como um spa para a alma» e eu corroboro. É uma fonte de luz.

Já visitaram a Fonte de Letras?