Fotografia da minha autoria

fui tratar do jardim porque da vida

já sobra pouco para cuidar

faltam as forças e a vontade

falta o ânimo das noites lentas

a sentir a brisa das rosas de santa teresinha

que crescem livres, belas, a desbotar

sem que nunca tivéssemos descoberto quem as plantou

de origem

reguei o único pé que resta

que resiste aos lutos em vida

e senti-me invadida pelas palavras de uma série qualquer

que acompanhavas sem ver

porque segundo eles «temos as mesmas feridas, mas de balas diferentes»

tal como nós, dizias tu entre olhares mudos, urgentes

preparei a jarra mas as flores ficaram

no parapeito por não ser capaz

de esbater esta fronteira entre o agora

e um passado que ainda ecoa tão dentro de mim