O meu quotidiano na net tem coisas que se repetem de tal maneira que chega a ser um conforto. As senhoras fazem muitos dramas, coitadas é o género delas...O problema desta ideia não é o fazerem dramas, mas a ideia implícita que existe um género que faz dramas e outro que é um pilar de seriedade. Também parece haver uma tendência de olhar para quem é sentimental como se isso fosse uma coisa mesmo reprovável - vocês choram com músicas da Adele. E daí? Vocês choram com músicas da Adele e são homens. E daí? Cada um é como é...Desde que vocês não saiam por aí a imitar o Jason Voorhees está ok. Já defendi aqui a ideia de que toda a gente é um pouco drama queen. Na verdade, acho que todos temos o direito de panicar de vez em quando. É aborrecido meterem-me no mesmo saco que metade da humanidade só porque nasci com um pipi, então lembrei-me de andar a recolher os grandes dramas de alguns senhores que encontro na net. Alguém tem de homenagear estes seres oprimidos pelo matriarcado e a quem só resta exprimir-se nas redes em caps lock.
A minha mulher agora ganha mais que eu, socorro!; Também na versão: ela parece mais inteligente que eu, sinto-me intimidado e humilhado!; ela pôs-me na friendzone!; Fiz-lhe um elogio e ela nem agradeceu, porque são as mulheres de hoje todas umas putas?; porque é que ela não fica grata por eu andar atrás dela, sou tão bom rapaz! [a síndrome do bom rapaz é já um flagelo]; devias tirar essa maquilhagem toda da cara, parem de nos tentar enganar! também na versão: não vistas isso, não fales disso, não tires fotos a comer pizza que eu não gosto e depois já não sigo a tua página e nem digo que gostava de fazer coisas marotas contigo; perdi um jogo contra uma rapariga, a minha vida está arruinada! [numa das páginas que sigo a autora contou o dia em que venceu 60 tipos numa prova de Mario Kart...Imaginem só]; "um filme onde mulheres não são tratadas como escravas? Boicote!; esta campanha contra a violência doméstica não me representa e sinto-me oprimido, boicote!
Claro que escapa a estas almas algumas coisas: que a igualdade na verdade beneficia todos, porque os estereótipos de género são nocivos para meninos e meninas e toda gente seria mais feliz se não fosse obrigada a encaixar-se num comportamento padrão e que isto não é uma corrida para para provar quem é melhor ou pior e que ninguém quer castrar ninguém - mas é demasiado. Se uma pessoa quer manter a sanidade mental tem de escolher bem a quem é que vai tentar aplicar pedagogia. Também foi uma coisa que aprendi com o tempo na blogosfera...