Fotografia da minha autoria

«Um thriller ambientado na União Soviética de 1930»

Os sonhos comandam a vida, como aprendemos nos versos da Pedra Filosofal. E, portanto, fortalecemos os passos que damos para os concretizar, saltando, muitas vezes, sem rede e equilibrando o medo do desconhecido com a vontade de chegarmos a um destino melhor. Mas este abrir de asas pode não ser assim tão poético, caso existam segredos que procuramos esconder no passado. Inspirada por este espírito idílico e misterioso, parti à descoberta do livro de António Garrido.

«Depois, com os anos, foi perdendo o contacto, até que lhe 

perdeu o rasto. Lamentou-o, porque sentia falta da sua amizade»

O Último Paraíso combina thriller, romance e suspense, sustentando-se em factos reais. Nesta narrativa interessante e vertiginosa, fazemos uma viagem até à União Soviética, na altura em que vários americanos tentavam fugir da depressão, da crise e do desemprego sempre a aumentar. Assim, há um confronto entre dois mundos e os valores da época, atendendo a que se desenvolve em 1930. Além disso, as falsas promessas protagonizadas pelo país que recebe tantas pessoas desesperadas, implica uma série de reviravoltas, colocando uma bandeira na fome, na precariedade, nas jogadas com segundas intenções, nos campos de trabalho e em desaparecimentos suspeitos. Porque a necessidade pode impedir-nos de compreender a realidade envolvente.

«[...] Quem és tu para te erigires em defesa de pessoas 

de quem só te lembras quando se trata de ganhares dinheiro»

Senti falta de mais detalhes na parte final do enredo, para que ficasse mais completo. No entanto, esta obra, embora nos faça deambular por um cenário enegrecido, tem apontamentos de amor e de esperança. Porque é uma história sobre seres humanos e superação. O Último Paraíso é intrigante, dividindo-se numa teia de mentiras, conspiração e maldade, ao mesmo tempo que exalta o sacrifício de um povo e a inocência - e desmistifica o mito do famoso sonho americano.

«- Não, Jack. És tu quem se esquece de que, ainda que o destino 

nos empurre para o abismo, existe sempre uma réstia de esperança»

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