16
Jan23
Maria do Rosário Pedreira
Durante o FOLIO, em Outubro passado, a escritora colombiana Pilar Quintana, autora de A Cadela e Os Abismos, confessou que foi parar ao jornalismo porque o que queria fazer na vida era escrever e foi essa a profissão que lho permitiu fazer a tempo inteiro. Mas será que às vezes não acontece o contrário e é o grande jornalista que acidentalmente se torna escritor, como aconteceu a Truman Capote? O espanhol Arturo Pérez-Reverte disse em entrevista que só se tornou escritor por ter sido antes de tudo um repórter de guerra. Garcia Márquez dizia que nunca deixou de ser jornalista, e Alice Vieira comentava que, entre os autores portugueses de literatura juvenil, há os que vêm do ensino e os que vêm... pois, dos jornais. Susana Neves escreve na revista Jornalismo & Jornalistas um interessante artigo sobre este assunto que recomendo, mas é curioso vermos quantos jornalistas portugueses foram ou são também escritores. Stau Monteiro, José Cardoso Pires, Saramago, Mário Zambujal, Fernando Dacosta, Assis Pacheco, Francisco José Viegas (que até dirigiu jornais, entre eles um desportivo); e na geração que começou a publicar já neste século Filipa Melo, Bruno Vieira Amaral ou Ana Margarida de Carvalho, por exemplo. Será que se sempre se tocaram as duas actividades ou é uma que leva à outra?