Na sequência de ter lido um dos livros de Simenon, escolhi este "Crime Impune" para conhecer um pouco mais sobre a obra do autor. Este livro, escrito em 1954 e editado cá em 1988, traz-nos em primeiro lugar a descrição de como era a vida dentro de uma pequena residencial, em Liége e dos seus hóspedes.

Nesta casa habita um hóspede peculiar, Elie, um Romeno que veio para Liége e que nutre uma especial e secreta simpatia pela filha da dona da casa. Elie leva uma vida recatada, que se resume à universidade, mas a chegada de uma personagem enigmática, vem alterar toda a sua rotina. Zograffi não entende a língua e tem de ser Elie a fazer a função de tradutor, tarefa que não o satisfaz. 

Elie apercebe-se que Zograffi guarda um grande segredo no seu quarto encarnado e quando descobre do que se trata, começa a vê-lo como um opositor, um concorrente que tem de desaparecer. Mas apesar de fugir após ter cometido o crime que o liberta de Zograffi, o destino volta a reuni-los. 

Sem entrar em grandes pormenores, o autor leva-nos muitas vezes através dos pensamentos da personagem principal ao mais profundo da mente humana, onde nos surpreende com a justificativa que para Elie fazia todo o sentido cometer aquele crime. A personagem não se apresenta de forma alguma arrependida, pelo contrário, ele apenas deseja explicar-se, fazer com que a vítima entenda os motivos que o levaram a cometer o crime, como que atribuindo à vítima a culpa do dano.

Foi um livro fácil de ler, com uma tradução excelente e de uma enorme qualidade literária. No fim, fica a vontade de saber mais, com um final que apesar de não ser de todo inesperado, nos deixa a querer saber "e depois?"