Estando já instalada em Paris, dediquei-me a uma actividade bastante literária: a visita à casa de Victor Hugo.


O autor, é claro, dispensa apresentações: escreveu, entre outras obras, Les Misérables (que só li em versão reduzida, querendo ler o original em francês) e Notre Dame de Paris, que li há dois anos em jeito de celebração da última vez que vim a Paris.

 

Existem dois museus Maison de Victor Hugo: um em Paris, o outro em Guernsey. A casa de Paris situa-se no nº 6 da Place des Vosges (assim denominada desde 1800, antiga Place Royale), em pleno bairro do Marais, e é onde Victor Hugo viveu de 1832 a 1848. Já queria ter visitado este jardim antes, mas nunca se tinha dado. A Place Royale foi inaugurada em 1612, para celebrar o noivado de Louis XIII e Anne de Áustria, sendo a mais antiga praça da cidade, e contou ao longo dos séculos com vários habitantes ilustres, entre os quais Richelieu (preparem-se para outros posts sobre ele nos próximos dias) e, lá está, Victor Hugo.

 

A Casa-Museu, fazendo parte da rede de Musées Municipaux de Paris, é de entrada gratuita. O prédio tem quatro andares, mas a exposição permanente ocupa apenas um, o segundo. À entrada/saída, há uma pequena loja. A exposição está composta de modo a levar-nos, cronologicamente,  através da vida do autor, dividida em três períodos (antes do exílio, o exílio em Guernsey, e o pós-exílio), evocando a sua escrita através não só de objectos que lhe pertenceram, mas de obras de arte alusivas aos seus livros,  nomeadamente Les Misérables e Ruy Blas.

 

Assim, vamos passando entre retratos de família, bustos do autor (um deles da autoria de Rodin), um quadro com a história de Inês de Castro, uma sala chinesa, portas a fazer a vez de mesas, alguns esboços feitos por Victor Hugo, a secretária na qual ele escrevia, de pé, e, por último, o quarto em que morreu, em 1885. Sendo que para sair da casa é preciso traçar o caminho no sentido contrário, há a oportunidade de ver e apreciar as várias salas duas vezes, em muitos dos seus pormenores e decoração lindíssimos (fiquei com a alcatifa da sala chinesa e da sala de jantar na memória). A visita é, de qualquer modo, rápida.

 

Já na loja, vi com alguma tristeza que a única edição de Les Misérables em francês tinha como capa a imagem do filme de 2012 - acabei por comprar Ruy Blas, uma peça frequentemente mencionada ao longo da casa, pela módica quantia de 2€.