
Então, finalmente fui ver este filme...Não estava muito interessada, mas depois de ler algumas coisas passei literalmente de isto não interessa nada para eu preciso de ver isto imediatamente. E não fiquei desapontada, nada mesmo. A estória é conhecida: a humanidade deu o berro, anda tudo à luta pelos recursos e o Max anda a vogar pela wasteland com os seus demónios. Entretanto, o seu intento de ficar sozinho é frustrado quando se cruza com um bando de mulheres em fuga lideradas pela Imperatriz Furiosa...Elas estão a fugir de um sítio muito mau dirigido por um psico que as usa como escravas sexuais. Em termos de acção é o que deve ser: super barulhento e super chalupa...Mal se consegue respirar em algumas cenas. O espectador fica ali no limiar entre estou a gostar disto, mas se não acaba vou precisar de uma máscara de oxigénio. A narrativa é, no entanto, bem balanceada com as cenas intensas intercaladas com uns momentos de paz que deixam expectativa para o que vai acontecer a seguir especialmente quando a música começa a aumentar. Dá realmente para sentir o que está a acontecer...E para perceber. Não é tipo aqueles filmes que esbanjam recursos em cenas nonsense, umas explosões e está a andar. Além disso o nível nunca quebra do início ao fim. Duas horas inteirinhas de glorioso caos!
Mas não se pense que isto é apenas um filme de acção - há bastantes questões pertinentes nas entrelinhas. Na verdade, acho que não há ali nada que também não aconteça neste mundo como ele é agora. É uma característica das boas distopias. Parecem estranhas quando vistas de longe, mas familiares quando vistas de perto. Obviamente a falta de recursos é uma questão: continuamos a desperdiçar e um dia as coisas vão acabar e vamos nos matar todos uns outros e quem conseguir ter controlo sobre algo é rei. Mas também o desejo que parece afectar os jovens de hoje de serem notados a qualquer custo fazendo coisas ridículas ou indo para outros sítios fazer coisas más, a manipulação mental que os leva a querer morrer por coisas absurdas; e a violência sobre as mulheres que é tratada de forma muito inteligente - não mostram uma única cena de violação: é por detalhes que ficamos a saber a estória das mulheres que acompanham a Furiosa. Em vez de vermos, são elas que contam. Há uma clara intenção de crítica (aquele burocrata grotesco...) e mesmo a obsessão por aquela maquinaria dos infernos tem qualquer coisa de familiar. É entretenimento sim, mas também incomoda. Claro que há alguns buracos na estória mas não achei isso negativo. Aumenta a sensação de sermos atirados ali para dentro.

As prestações são óptimas, a Charlize é tão badass. O Tom também - não acho que o facto de ele falar pouco seja um problema. O contrário seria estranho...Os dois sentados a contar estórias do antigamente como se fossem pessoas normais. Mas se compensa ele faz as expressões mais hilárias do todo o filme. As personagens secundárias também são óptimas - o Nicholas Hoult como Nux é uma coisa que merece ser vista. De facto, se há coisa que não há aqui são clichés basta ver que a Furiosa e o Max são tratados da mesma maneira. Outras coisas que ficam provadas neste filme: que a igualdade não é uma ameaça mas sim algo que beneficia toda a gente - homens e mulheres podem trabalhar juntos com sucesso - que um tipo não se torna menos homem por aceitar ajuda de uma mulher; que um o filme de acção não deixa de ser super agressivo só por ter mulheres no elenco; que as heroínas não precisam de ser emparelhadas romanticamente com ninguém, valendo por si próprias. Infelizmente, as pessoas não estão habituadas à igualdade. Será que isto é um filme feminista, não será que a Furiosa ocupa espaço demais – ninguém perguntaria isto se ela fosse um homem! A verdade é esta: não somos coisas e a igualdade devia ser algo natural. Por isto tudo já devem ter percebido: é um filme que recomendo, na verdade se puderem ver mais de uma vez melhor porque tem tantos detalhes que é difícil apanha-los todos à primeira.