Este poema foi escrito por mim e fala de uma coisa que marcou a minha infância e que me lembra a casa dos meus avós, o cheiro do doce a borbulhar na panela e o sabor do doce de figo numa carcaça.
Figos doces da infância
Quero ir fruta apanhar
Subir acima dos ramos
Ficar com as mãos a pegar
Do mel doce que derrama
A fruta que sabe melhor
É aquela que os pardais
Picam, sem qualquer temor
Quando espreitam os quintais.
Não é apenas a cor
É o sol que a adoça
O tempo lhe dá sabor
E a chuva lhe dá força.
Quero os meus figos do tempo
Eu que subia às árvores do monte
Ficava com as pernas esfoladas
E lavava os pés na fonte!
Não há figos tão doces
Como aqueles da minha infância
Que na frescura dos montes
Havia em tanta abundância.
Elsa Filipe, 2023