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Dez19

Maria do Rosário Pedreira

Emprestaram-me um livrinho muito bonito do escritor italiano Alessandro Baricco para ler num fim-de-semana que iria passar fora da minha casa. Iria ter umas horas livres (poucas), e uma amiga lembrou-se de que este seria, em peso, tamanho e qualidade, o ideal para cumprir a função. E ainda bem, porque gostei mesmo muito deste Sem Sangue, um livro muito inteligente passado num período que se segue a uma guerra (não sabemos qual, mas envolveu experiências médicas terríveis, embora se diga que durou apenas 4 anos e se passe em território de nomes espanholados) que, na verdade, continua a viver dentro das personagens, demasiado marcadas para não se quererem vingar. Na primeira parte, um grupo de homens cerca a casa de Manuel Roca para isso mesmo, uma vingança, e o perseguido esconde a filha pequena numa cave para a proteger. Na segunda parte, é essa filha, já de cabelos brancos, quem se encontra com um desses homens que participaram da vingança e que, abrindo o alçapão e vendo-a lá escondida, não disse nada aos outros. É inesperado e belo, misterioso e cheio de frases para coleccionar. Leiam-no, se o encontrarem.