Fotografia da minha autoria

«À noite, olhavam ansiosos para o céu»

A literatura infantil tem um traço tão benigno e estimulante, que me apaixona em cada exemplar que descubro. Porque, com a dose certa de magia e de imaginação, leva-nos por uma viagem de aprendizagens infinitas. Portanto, creio que seríamos seres humanos ainda mais completos, se concedêssemos espaço nas nossas leituras a obras que, sendo destinadas aos mais novos, potenciam um contacto direto com o verdadeiro sentido da vida, tal como no livro de Michael Grejniec.

«Um belo dia, a pequena tartaruga decidiu escalar 

montanha mais alta para conseguir chegar à Lua»

A Que Sabe a Lua? tem, para mim, um significado muito especial. Para além da sua história maravilhosa, recorda-me dos pequenos meteoritos, que já não se lembram de mim, mas que permanecerão sempre no meu coração. Lendo-se num sopro, é uma narrativa emocional, com uma mensagem tão importante, permitindo-nos sonhar, uma vez que evidencia o companheirismo, a entreajuda, a capacidade de reconhecer as nossas limitações e o quanto é bonito unirmo-nos por objetivos comuns, mantendo uma postura empática e de profunda consideração pelo outro.

«- Se subires para as minhas costas, 

é provável que nos aproximemos dela»

Como Educadora de Infância [de formação], reconheço a multiplicidade de atividades que podemos desenvolver a partir deste livro, pois tem ramificações pedagógicas e criativas. O título, por ser em forma de pergunta, implica-nos logo enquanto leitores, abrindo-nos a porta da fantasia. Por outro lado, haver uma repetição textual não só pode contribuir para aprender a ler, como também torna a sequência mais próxima e compreensível. Além disso, as ilustrações amplificam o faz de conta. Assim, estabelece-se um elo entre a vertente pictórica e linguística, criando um plano semântico diverso, ao mesmo tempo que se explora o mistério, a curiosidade e as distintas áreas de conteúdo.

«O macaco já conseguia cheirar 

a Lua, mas tocá-la nem pensar!»

Esta história revela-nos um desejo, aparentemente, inalcançável, confrontando-nos com duas visões antagónicas, que contrapõem o marasmo e a iniciativa; a luz e a sombra; o real e o imaginário; o ceticismo e a crença. Com um final delicioso, cómico e reflexivo, demonstra uma atitude muito esclarecedora do ser humano, apelando às conquistas que são sempre mais prazerosas quando partilhadas; quando cooperamos em vez de subestimarmos os demais. Deste modo, destacando os pequenos Heróis, compreendemos que as pessoas não se medem aos palmos: é o nosso prosaísmo que nos limita e que, ainda, nos condena à inércia.

«E a Lua soube-lhes exatamente àquilo...»

A Que Sabe a Lua? tem uma abordagem singular, que nos permite revisitar dois mundos: o daqueles que preferem acomodar-se e viver na ignorância e na ilusão das sombras e o daqueles que, com alguma ousadia, se libertam das amarras que os prendem ao chão, quebrando estereótipos e desfrutando do quanto é doce, num esforço conjunto, subir esta escada - independentemente de ser física ou metafórica; e da sua própria estrutura - que [n]os leva sempre um passo mais longe.

«Nessa noite, os animais dormiram todos muito juntos»

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