Mariana M. Braga
Presos por uma coleira. Assim somos todos nós, desumanizados por nós mesmos. No Espaço Obragem, Leandro Daniel e Eduardo Giacomini nos representam se alternando entre os papéis de Cristiano, um prisioneiro político, e Luís, seu carcereiro. Quem é vítima? Quem é algoz? E logo também podemos nos perguntar: Somos vítimas? Somos algozes?
Podemos chegar a essa reflexão pela peça não-linear escrita pela Olga Nenevê, em que o capítulo 16 vem antes do de número 3: é um convite para que o público a costure à sua maneira, o que inclui considerar todas as cenas um único momento em que tudo acontece.
O tom de força e tensão da peça é dado pela voz dos atores e principalmente pela expressão corporal. São intensos como o sangue que corre na veia na hora da raiva. Sentados na cadeira, pendurados como carniças no açougue ou de quatro como cães, os personagens Cristiano e Luís se confundem, se humanizam e se desumanizam, propondo a nós reflexões e questões sobre a estrutura na qual vivemos, que nos deixa acorrentados. Cristiano e Luís se encontram e se identificam no choro, no uivo. E é essa a sensação que contagia quem foi conferir de perto: a de transformar o latido num grande grito, daqueles de quebrar todas as correntes.
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CRISTIANO, O CÃO LOUCO
A peça também estará em cartaz durante o Festival:
30 de março às 18h
31 de março às 18h
1º de abril às 19h
02 de abril às 19h
No Espaço Obragem
Al. Júlia da Costa, 204. São Francisco
Curitiba – PR
Bilhetes aqui.
Equipe de criação:
Atores: Eduardo Giacomini e Leandro Daniel
Texto e direção: Olga Nenevê
Assistência de direção: Fernando de Proença
Direção de movimento: Marila Velloso
Trilha musical – instalação sonora: Vadeco
Iluminação: Lucas Amado
Fotos e vídeos: Elenize Dezgeniski
Cenário e figurino: Eduardo Giacomini
