Fotografia da minha autoria

«Escrever é a minha forma de mudar o mundo. Pelo menos, o meu»

A memória mais antiga que eu guardo, nesta esfera de escrita, sou eu na marquise, com um caderno de capa preta aberto e folhas pautadas, a espreitar pela janela à procura de inspiração para criar versos e rimas. E, como se as palavras fossem uma autêntica extensão da minha identidade, começou cedo a minha história.

UM CAMINHO DE DESCOBERTA

Português sempre foi a minha disciplina de eleição, porque entusiasmam-me as camadas em que a nossa língua se divide [ou multiplica, dependendo da perspetiva]. E tinha particular apreço pela hora de escrever composições, visto que era extraordinária a sensação de sentir a imaginação a oscilar entre vários cenários.

Embora não me recorde do diálogo em si, tenho bem presente o momento em que tive a impressão que esta relação seria para continuar, porque um texto que escrevi sobre o outono [terceiro ou quarto ano, por aí] foi elogiado pela professora. Hoje, tenho capacidade para reconhecer o quanto seria ingénuo sustentar a vontade de continuar a escrever por causa desta lembrança. Mas, por outro lado, mostra o impacto que os adultos de referência têm no nosso crescimento - e nos nossos sonhos, mesmo quando permanecem mais silenciosos.

Independentemente das motivações inerentes ao processo, comecei a traçar um caminho de descoberta. Primeiro, porque escrever era um porto seguro de distração e de entretenimento. Segundo, porque, pouco a pouco, passei a acalentar a esperança de ver este passatempo a transformar-se em algo ainda mais sério.

PERFIL DE ESCRITA

A poesia foi a minha primeira forma de expressão, talvez pela sonoridade da rima. Mas também comecei a ter interesse em desenvolver contos, fazendo com que as personagens tivessem uma direção, um propósito. Curiosamente, nunca tive a pretensão de estruturar algo de grandes dimensões, como um romance. Ou, melhor, nunca senti que fosse esse o meu perfil, porque era de desfechos rápidos - e, convenhamos, a falta de proximidade com a leitura também limitava a minha capacidade para ver para lá de certos horizontes.

No hiato que me afastou dos poemas, tentei aventurar-me na escrita de histórias mais longas, mas regressava sempre às origens dos textos curtos, das crónicas. E, senão me falha a memória, só Meu Querido Mês de Agosto [que comecei no Parte do Que Sou] e O Nosso Amor é Como o Vento é que foram os meus projetos mais ambiciosos nesse sentido. E percebi que, apesar de os ter adorado, talvez não sejam o meu futuro.

Creio que arriscar é a maneira mais fidedigna de descobrirmos o nosso dialeto, até porque não acho que um autor só possa escrever num género [pode destacar-se mais em algum, mas isso não lhe retira a liberdade de criar]. É por isso que me divirto tanto no processo e que me permito escrever em diferentes formatos - o exemplo mais evidente prende-se com a criação de contos de crime e mistério. Porque, assim, sei quem sou.

AS MINHAS AVENTURAS

O meu percurso passou dos cadernos para as plataformas digitais - primeiro, no fotolog; mais tarde, no blogue. Sem esquecer todos os blocos onde faço anotações, até porque continuo a escrever à mão e a guardar fragmentos só para mim, encontrei outro entusiasmo na partilha, porque é a crítica que lima as arestas.

Por consequência, perdi a vergonha, o receio, de mostrar o que me sai do lado esquerdo do peito e comecei a participar em alguns concursos, sobretudo, pela curiosidade. Por isso, há paragens que guardo com carinho.

✏ Escrever poemas para o jornal da escola [ainda na primária];

✏ Ter dois textos publicados em dois números da Revista Montepio;

✏ Enviar um texto para o Concurso Literário Infanto-Juvenil do El Corte Inglês;

✏ Arriscar n' A Audiência Escreve Um Crime [concurso promovido pelo AXN];

✏ Aventurar-me, finalmente, no Prémio de Literatura Infantil do Pingo Doce.

E faço por tê-las presentes por uma razão muito simples: porque são o reflexo de uma paixão antiga e de um abrir de portas para o desafio que é sair da minha zona de conforto, estando à mercê da apreciação de um júri, independentemente do resultado. Além disso, são pequenos passos que me mostram que, sem esperar validação, acredito o suficiente para saber gerir respostas negativas e continuar a tentar encontrar o meu lugar.

Era uma vez uma menina a olhar pela janela, que mal sabia que o seu mundo teria mais encanto no meio de tantas palavras escritas. Mas aprende-o todos os dias. E, portanto, permanece deslumbrada com a sua magia.