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| Fotografia da minha autoria |
«Todos temos luz e trevas dentro de nós»
[contém spoilers]
A nossa vida é uma passagem. Não digo para a outra margem, mas por uma fita cinematográfica recheada de géneros, momentos, aprendizagens e, se possível, magia. Acredito que parte da nossa existência será eterna, enquanto habitarmos as memórias e o coração daqueles que nos querem tanto. Porque é este vínculo que torna a nossa jornada autêntica. Mas quando o corpo parte, por onde deambula a nossa alma?
O meu contacto com o universo de Harry Potter tardou, mas revelou-se uma montanha russa de sensações e sentimentos, tornando-se especial e colando-se à minha pele para sempre. E parte de mim lamenta só ter dado uma oportunidade a esta saga aos 27, porque perdi traços de inocência e a possibilidade de crescer com as personagens. No entanto, fazê-lo com esta idade permitiu-me analisar certas circunstâncias com outra consciência e sensibilidade, compreendendo melhor as mensagens subliminares. Além disso, a minha predisposição emocional também me deixou atenta a sinais cruciais para o desenvolvimento da narrativa. E a energia é tão intensa e proximal, que cada tema se torna fascinante. E motivo para um estudo mais detalhado, como o caso dos Horcruxes.
Lord Voldemort - ou, se preferirem, Aquele Cujo Nome Não Deve Ser Pronunciado - numa procura incessante pela imortalidade, recorreu a magia negra e ao ato mais cruel de todos para dividir a sua alma em sete fragmentos, guardando-a em representações importantes para a sua obsessão. E impedindo a sua morte definitiva, até porque poucos são os objetos com poder suficiente para destruir um horcrux. Inconscientemente, apercebi-me que estava completamente siderada e envolvida nesta demanda, uma vez que não só está descrita de um modo viciante, como também revela uma postura sombria e pouco convencional, levando-nos a desconstruir a identidade enegrecida do seu criador.
Ciente do processo moroso - e silencioso - associado a esta tarefa, ponderei realizar um exercício semelhante, mas hipotético e, logo, mais seguro. E, após escutar o episódio 54 do podcast Sozinho em Casa, no qual Guilherme Geirinhas partilha os objetos que escolheria para o efeito, optei por materializar o meu pensamento, definindo, então, os meus sete horcruxes - preservando a minha alma eternamente.
Caderno & Caneta: Este duo é indissociável. Porque escrevo desde que aprendi a desenhar as letras, priorizando sempre o papel, na medida em que, para mim, é a forma mais bonita de dar asas à imaginação. Assim, dividiria uma fração da minha essência por um Moleskine e uma esferográfica Pentel BK77, pois são modelos que me acompanham há anos.
Dedal Cidade do Porto: A minha coleção de dedais não é antiga, mas é bastante pessoal. Por essa razão, fazia todo o sentido que assumisse esta responsabilidade acrescida. No entanto, apenas um dos exemplares teria o peso de guardar uma parte do que sou. E, claro, só poderia ser aquele que representa uma das cidades do meu coração.
Fuji FZ-5: Fui sempre apaixonada por fotografia. Portanto, se tivesse que conservar um pedaço da minha alma num objeto, certamente que escolheria a minha primeira máquina fotográfica, que tanto me permitiu crescer e alimentar este gosto tão umbilical e desafiante.
O Principezinho: Há histórias que nos descrevem. E que nos marcam para sempre. E esta obra de Antoine de Saint-Exupéry nunca deixará de ser a minha predileta, até pelos valores que transmite. Por isso, viveria nela até ao fim. Mas manterei em segredo qual das edições seria a contemplada, apenas para prolongar o mistério.
Pão de Forma: O modelo icónico da Volkswagen é parte da minha identidade e quase imagem de marca do blogue. E creio que não são necessárias mais explicações. Pelo valor simbólico e emocional, a protagonista seria a vermelha, porque foi oferecida pelos meus pais.
Brincos de Dragão: Foram uma das últimas prendas da minha avó materna. E guardo-os com a maior estima e o maior amor. Não só por a manterem presente, mas também por serem alusivos ao meu clube. Esta simbiose é perfeita. E possibilitaria um belo esconderijo.
Capa: Foi em Praxe que conheci pessoas que levo para a vida. Porque, de capa traçada, vivemos experiências inesquecíveis, que reforçaram os nossos laços. Já para não mencionar o quanto moldaram o nosso caráter e a confiança de fazermos valer a nossa voz sem imposições. Por essa razão, também seria um objeto ao qual associaria a minha alma.
Que horcruxes criariam?
