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| Fotografia da minha autoria |
«A vida é feita de muitos dilemas»
O caminho da generalização é inglório, perigoso e, maioritariamente, desnecessário. Não só porque nos reduz a um padrão único, mas também pela inutilidade, porque nunca teremos dados suficientes que nos permitam alcançar uma verdade irrefutável. Ainda assim, acredito que um dos maiores dramas de um leitor se relacione com uma pergunta muito particular: comprar ou requisitar livros?
A Carolina Ferreira [Bem-Me-Quer], aquando da minha publicação sobre os clubes literários em que decidi participar este ano [aqui], colocou-me duas questões: se costumo requisitar livros em alguma biblioteca. E o que penso deste método de ler e poupar. Perante este assunto, senti que tinha encontrado o mote perfeito para comemorar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Por isso, fui adiando a resposta, embora esta não constitua uma novidade plena, pois já é claro que priorizo sempre uma das componentes.
É uma vantagem ter à disposição alternativas que nos consintam alargar o nosso conhecimento literário sem desfalcarmos a conta bancária, até porque nem todas as obras apresentam valores convidativos. As promoções e as próprias Feiras do Livro são uma ajuda preciosa, no entanto, continuam a não ser a opção mais rentável para todos. Além disso, este tipo de solicitação temporária é uma excelente ponte para um compromisso regular, uma vez que, contrariando a tendência enumerada anteriormente, ler não tem que ser uma atividade dispendiosa, desde que saibamos gerir os recursos existentes. Porém, é nesta parte que me contradigo, porque não usufruo dos serviços bibliotecários. E tenho três motivos.
Motivo 1: Pretendo tornar real um dos meus sonhos mais antigos, que passa por construir a minha biblioteca. Tenho plena consciência que esta decisão necessita de investimento e de algumas cedências. Mas é algo que me apaixona e entusiasma.
Motivo 2: Não gosto de estar presa a prazos de entrega - mesmo que renováveis -, nem dependente da disponibilidade de determinada obra.
Motivo 3: É a minha maneira de valorizar o trabalho de autor. Infelizmente, a percentagem que lhes chega é, por vezes, irrisória. No entanto, continuo a preferir contribuir para esta causa. Por mais que eu não tenha um grande poder de compra, privilegio sempre a aquisição de exemplares. É o que me deixa mais tranquila e em simbiose com os valores que defendo e transmito.
Em suma, qualquer uma destas vias tem os seus prós e os seus contras. Requisitar permite-nos poupar em vários sentidos, tanto a nível monetário, como a nível de espaço. E as bibliotecas podem transformar-se em verdadeiros refúgios. Contudo, pessoalmente, prefiro as livrarias - físicas e online -, que me possibilitam exercer o meu sentido de pertença. E, ao comprar os livros, sei que posso folheá-los ao meu ritmo, as vezes que necessitar. Isto, naturalmente, não faz de mim uma melhor ou pior leitora. É uma escolha - ponderada e assumida. E cada um deve optar pelo que lhe fizer mais sentido.
Neste dilema intemporal, segui o lado da margem mais consumista, reconheço. Mas também o movo com um certo altruísmo. Apesar disso, no final, para mim, o que vale mais é o apego às palavras. Se puderem comprar, façam-no [e apoiem quem admiram]. Se vos for mais cómodo requisitar, não hesitem. O importante é ler. É valorizar a leitura. E não deixar que esta manifestação de cultura se perca com o tempo.
