29
Set25
Maria do Rosário Pedreira
Há uns anos, fui entrevistada por Luísa Sobral para um podcast que a cantautora então tinha sobre letristas. Não havia muito tempo ainda, o seu irmão Salvador estreara uma letra minha num espectáculo de TV com o pianista Júlio Resende, e a Luísa gostava muito dessa letra e estou em crer que também por isso viera entrevistar-me. Conversa puxa conversa, percebi que era uma grande leitora desde pequena e que um dos momentos mais felizes da sua infância era ir com a mãe à livraria escolher os livros que levavam para férias. Um bom leitor não faz obrigatoriamente um bom escritor, mas desenganem-se os que pensam que se pode ser um bom escritor sem ter lido muito. Este ano, com grande alegria, publiquei o primeiro romance da Luísa Sobral, Nem Todas as Árvores Morrem de Pé. As estreias são sempre difíceis, sobretudo quando se trata de personalidades públicas que, já se sabe, evocam frequentemente comentários infelizes e invejosos; mas esta não podia ter corrido melhor. Vamos na 11.ª edição e há cada vez mais gente a comentar positivamente este livro sério e cheio de poesia sobre a vida de duas mulheres antes e depois da construção do Muro de Berlim. Se ainda o não leu, vai muito a tempo. Parabéns, Luísa Sobral. Uma grande leitora e uma grande escritora.
