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| Fotografia da minha autoria |
«Quem lê transporta-se para outros mundos»
A minha predisposição está quase sempre pronta para apanhar boleia de um livro. Porque não preciso de muitas desculpas para ler. Aliás, qualquer altura é propícia para o efeito e faço por diversificar os géneros com que me cruzo. Além disso, tento manter um ritmo constante, pois é uma maneira de cuidar de mim. No entanto, parece que há algo neste tempo veranil que me inspira a deambular por um número maior de histórias.
Creio que a leveza das férias, por si só, desperta essa consequência. Em simultâneo, existe o dialeto tão próprio do nosso estado de espírito, uma organização mais ampla e, sobretudo, uma procura por novos contextos e paisagens que nos permitam viajar na companhia de exemplares especiais. Portanto, aproveitando para embarcar em narrativas descomplicadas ou, pelo contrário, que exijam um pouco mais de nós - e que, por esse motivo, ficam em espera, na estante -, talvez necessitemos de uma lista de leituras personalizada.
Confesso, ainda assim, que não costumo fazer uma grande diferenciação literária entre estações, porque depende do quanto o livro me atrai, da simbiose entre a sinopse e a minha vontade de a desvendar ao pormenor. E é desta forma que transito de uma obra para outra. Observando os títulos que habitam cá em casa, há seis que se afiguram como prioritários e quatro que acredito proporcionarem leituras transformadoras.
QUATRO LIVROS QUE LI E RECOMENDO

Devem ler O Que Dizer das Flores, de Maria Isaac, porque:
📖 O enredo caracteriza bem a essência do nosso Portugal rural;
📖 A escrita da autora é envolvente;
📖 Tem um ritmo alucinante e misterioso;
📖 As personagens são tão credíveis e carismáticas, que dificilmente as esqueceremos.
Devem ler O Lugar das Árvores Tristes, de Lénia Rufino, porque:
📖 Coloca a tónica no quanto as vítimas, sobretudo se forem mulheres, ainda são tratadas como culpadas;
📖 Mostra-nos que o amor é o nosso maior impulso;
📖 Tem uma caracterização social coesa e fantástica;
📖 Faz-nos refletir sobre uma série de questões fraturantes.

Devem ler Heartstopper Volume 1 e Heartstopper Volume 2, de Alice Oseman, porque:
📖 O casal é amoroso;
📖 A história é muito credível e proximal;
📖 Coloca uma bandeira na comunidade LGBTQIA+, na aceitação das diferenças, na entreajuda e na necessidade de sermos mais empáticos com os nossos pares;
📖 Leva-nos numa viagem de autodescoberta.
SEIS LIVROS QUE QUERO LER

Esse Cabelo, Djaimilia Pereira de Almeida
«Esta é a história de uma menina que aterrou despenteada aos três anos em Lisboa, vinda de Luanda, e das suas memórias privadas ao longo do tempo, porque não somos sempre iguais aos nossos retratos de infância; mas é também a história das origens do seu cabelo crespo, cruzamento das vidas de um comerciante português no Congo, de um pescador albino de M’banza Kongo, de católicas anciãs de Seia, de cristãos-novos maçons de Castelo Branco - uma família que descreveu o caminho entre Portugal e Angola ao longo de quatro gerações com um à-vontade de passageiro frequente» - este exemplar, na realidade, já comecei a ler.
Jesus Cristo Bebia Cerveja, Afonso Cruz
«Uma pequena aldeia alentejana transforma-se em Jerusalém graças ao amor de uma rapariga pela sua avó, cujo maior desejo é visitar a Terra Santa. Um professor paralelo a si mesmo, uma inglesa que dorme dentro de uma baleia, uma rapariga que lê westerns e crê que a sua mãe foi substituída pela própria Virgem Maria, são algumas das personagens que compõem uma história comovente e irónica sobre a capacidade de transformação do ser humano e sobre as coisas fundamentais da vida: o amor, o sacrifício, e a cerveja».
O Pecado de Porto Negro, Norberto Morais
«Porto Negro, conhecida entre os marinheiros do mundo como a Cidade do Amor Vadio, é um lugar remoto, plantado no coração dos trópicos, onde, durante o dia, dizem, cheira ao suor da vida dos homens e, à noite, ao perfume das mulheres da vida [...] é um mosaico de histórias que se vão encadeando para construir um romance sobre o carácter circular do tempo e aquilo que em nós há de mais primitivo, profundo e humano».

Flecha, Matilde Campilho
«Este é um livro de histórias. Narrativas que foram surgindo um dia depois do outro, às vezes durante a tarde, outras logo pela manhã, e a maioria delas quando a noite já havia caído. Talvez o escuro seja mais propício às histórias. Seja como for, de uma maneira ou de outra, todas quiseram chegar-se à luz. Nem que fosse por um segundo. Umas chegaram-se tanto que passaram a ser, elas mesmas, a candeia que iluminou uma noite inteira. Nestas páginas estão retratos imaginários, e dentro desses retratos podem inscrever-se, à vez, coisas como: uma paisagem; um objeto; uma pedra; um bicho; um fogo; um gesto; um instrumento musical; um rosto; um deus. Por vezes, essas coisas vivas e mortas misturam-se num só retrato, como acontece na vida».
O Prisioneiro do Céu, Carlos Ruiz Zafón
«Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si».
O Que Veem as Estrelas, Nuno Camarneiro
«Quando uma menina chamada Rita, um cão chamado Bernardino e um cientista chamado Alfredo se encontram num jardim, todas as perguntas são possíveis. De olhos fechados e com as ideias muito abertas é possível observar o universo inteiro, mesmo planetas em forma de cachimbo, girafas marrecas...».
O mais fantástico é que esta lista pode [e está] sempre a renovar-se ♥
