Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

O mágico de Ot
História produzida em 1987
Roteiro de Sauro Pennacchioli e arte de Alberico Motta
73 Páginas

As aventuras de Tom Sawyer
História produzida em 1990
Trama de Neville Jason, roteiro de Tom Anderson e arte de Tello-Team
56 Páginas

Logo de início afirmo que a primeira história é um aborto à coleção. Nessa “adaptação” do clássico infantil não vemos nenhuma Dorothy (margarida aparece no mundo mágico de penetra), não há Leão covarde, nem espantalho, tampouco o homem de lata; na realidade não há nem mágico nativo no tal mundo de Ot. A pior história até aqui começa quando Patocôncio surta quando vê o sucesso de Patinhas, e começa a arquitetar um plano mirabolante com a ajuda da Maga Patalógica. O plano consiste em mandar Patinhas para o mundo de Ot, para ficar com sua caixa forte e todos os seus negócios, já que o depósito de dinheiro fica em território municipal, e se Patinhas se ausentasse do mundo ou morresse o território ficaria com quem o comprasse. No mundo de Ot tudo dá em árvores. Doces, carros, hot-dogs, sapatos etc., aqui o dinheiro não tem importância, já que até diamantes e outras jóias nascem em arbustos próprios. A trama geral até que seria boa se não trouxesse junto desenhos feios, argumentos fracos e personagens pouco convincentes. E claro, nunca deveria haver nenhuma comparação entre Oz e Ot, que tirando o fato de serem mundos mágicos não oferecem qualquer outra semelhança. O pior de tudo é saber que a idéia de incluir essa história na coleção nem é brasileira. Na Itália essa história também figurou no volume. Minha revolta maior é por ter conhecido uma boa adaptação do mágico de Oz, com os três amigos, o Mágico, e todos os elementos, em uma almanaque antigo que temos em casa. Lamentável.

Para salvar o volume temos uma grande adaptação de Tom Sawyer, o livro de Mark Twain. E esta é uma adaptação de verdade, com todas as letras, sendo a mais fiel ao original até aqui. Li e re-li As aventuras de Tom Sawyer quando tinha treze anos, e desde então o considero um dos melhores livros que já li, sendo, para mim, um modelo de literatura livre de qualquer outro objetivo além de entreter e divertir. Mickey encarna Tom e Pateta é o seu grande amigo, Huck Finn. No enredo encontramos algumas das melhores aventuras do personagem do livro transcritas na HQ, como quando Tom engana os amigos para pintarem a cerca, a parte que tenta chamar a atenção de uma menina na escola, e quando ficam perdidos em uma caverna; esta e outras aventuras são fielmente adaptadas para a HQ, contando com outros detalhes fiéis como o fato dos meninos usarem, como moeda de troca, todo tipo de bugigangas engraçadas como maçanetas de latão, besouros em caixas de fósforos e vidros coloridos.O traço é perfeito, os argumentos inteligentes e as cores são um atrativo a parte, sendo discretas e harmônicas, dando um toque especial aos personagens. Se o volume viesse apenas com essa adaptação eu o teria elegido como o melhor até aqui, mas, infelizmente, o volume foi inaugurado com o desastre de Ot.