Já me recomendaram o autor há bastante tempo, mas ainda não tinha conseguido chegar aos seus livros. Um dia destes, estava numa livraria a comprar presentes para oferecer a dois amigos que fazem anos com apenas três dias de intervalo, e os meus olhos pousaram numa capa que dizia Quem Matou o Meu Pai, de um livro de Édouard Louis. Comprei-o também (os outros, para quem esteja curioso, eram de Svetlana Alexievich e John Banville). É um livrinho para uma noite, uma coisa mesmo pequena; e, quando o comecei a ler, pensei que afinal já o tinha lido, de tal modo me era completamente familiar; mas percebi essa sensação umas páginas mais adiante, quando o autor menciona Didier Eribon e diz que teria sido impossível escrever sem antes ter lido Didier. Claro! Quem Matou o Meu Pai lembrou-me (demasiado) Regresso a Reims, no qual também é mencionada essa relação difícil entre um pai bastante bruto e o seu filho homossexual, que começa por ser silenciosa (e até por isso violenta, de dentes a ranger) e, quando o filho se torna um autor conhecido, o pai orgulhoso já só quer falar dele aos amigos. Talvez devesse ter começado por outro livro de Édouard Louis, porque este tem a mesma temática de Regresso a Reims mas não é tão bom, já que o livro de Édouard Louis não foge à política, mas aborda-a de forma mais vingativa, pelo que os políticos fizeram e não fizeram ao pai, enquanto Eribon parte da família para desenvolver toda uma teoria sobre como o seu pai, que fora sempre comunista, se voltou para a Extrema-Direita. Tenho de ler agora outro dos livrinhos de Édouard Louis, esperando que não me lembre mais ninguém.
Demasiado afins?
Texto originalmente publicado em Horas Extraordinárias