Ler romances históricos é sempre uma aventura para mim. Dentre meus autores preferidos está Philippa Gregory, cujo título “A outra rainha” chegou às minhas mãos recentemente, e a vontade de ler chegou há alguns meses com a ótima resenha da Anica.
A história é narrada a partir de três pontos de vista: Bess, a esposa do Conde de Shewsbury, mulher prática e preocupada com seu patrimônio construído cautelosamente dos espólios da Reforma protestante na Inglaterra; George Talbot, 6º Conde de Shrewsbury, homem para quem a honra é tudo e nobre de longa linhagem, sem nenhum sentido de dinheiro; e Maria Stuart, a rainha dos escoceses, mulher jovem e altamente ciosa de sua posição de realeza.
Bess de Hardwick, minha personagem preferida, é o que hoje chamaríamos de “pé-no-chão”. Não muito afeita a sentimentalismos, casou-se com vista a sua segurança financeira e posterior título de nobreza. É afeiçoada a seu marido, mas não o ama. Suas propriedades, no entanto, são sua vida. Seus controles financeiros eram tão rígidos que foram conservados para a posteridade.
George Talbot, o conde, é um homem acostumado a códigos de conduta e rituais de nobreza. Probo e honroso num grau extremo, não consegue imaginar que seres da realeza sejam menos do que anjos. Por outro lado, desconfia enormemente do administrador real William Cecil, a quem atribui todas as turbulências do reinado de Elizabeth.
Maria Stuart, a rainha, considera-se soberana três vezes: da França, pelo casamento com o filho de Henrique II, morto ainda jovem, da Escócia, por nascimento, e rainha da Inglaterra, já que considera Elizabeth uma bastarda e é neta da irmã de Henrique VIII. Casou-se na Escócia com Lorde Darnley e assim que seu marido foi assassinado, presumivelmente por Bothwell, casou-se com o assassino. Os lordes da Escócia se revoltaram e Maria Stuart se viu pedindo asilo a sua prima e por ela é aprisionada.
Especialista em romances da era Tudor, Philippa Gregory foca desta vez o reinado de Elizabeth. Mais especificamente a longa custódia de Maria Stuart, rainha dos escoceses. Baseado numa extensa bibliografia histórica, ainda sim é um romance. Dentre os fatos, destacamos serem rais, Bess de Hardwick veio de baixo e cresceu com seus casamentos, George Talbot se afeiçoou à sua prisioneira, e realmente Maria Stuart teve sua residência em vários castelos do casal Shrewsbury.
A história se passa entre 1568 e 1573 e retrata mais do que o suplício da rainha, que na obra de Philippa Gregory não é assim tão inocente como querem pintar, mas a deterioração de um casamento. Bess e George, recém casados, felizes, veem sua relação desmoronar aos poucos pela presença de Maria. As personagens são muito bem construídas e a voz de cada um é única. Talvez não seja a obra prima de Philippa Gregory, mas, com certeza, é um excelente retrato da era Tudor.
A outra rainha
Philippa Gregory
Tradução: Ana Luiza Borges
420 Páginas
Preço sugerido: R$49,90
Saiba mais sobre essa e outras obras no site do Grupo Editorial Record
