Fotografia da minha autoria

«(...) mesmo que o tempo não volte atrás, renasci»

Tenho saudades das manhãs de inverno. De acordar com aquela luminosidade tímida e, praticamente, sem força para invadir as pequenas frinchas das persianas. Sinto falta de escutar as gotas da chuva contra o vidro, formando uma melodia confortável, que nos embala no aconchego de um ritmo quase impercetível.

Preciso dessa paz, do cheiro acolhedor de um chocolate quente acabado de fazer, do crepitar da madeira na lareira, das mantas espalhadas pela casa, estrategicamente expostas para quando o frio se torna insuportável - o meteorológico e o da alma. Quem é que me abraça durante esta estação tão propícia à melancolia?

Fico de pé, encostada à janela, a ver os carros a desaparecer, ao mesmo tempo que imagino a tua chegada; e que, ao chegares, me envolves nos teus braços. Quando regressas, perfumando a casa, eu fico bem.

O inverno é o teu retorno, como se fosses uma ave migratória. Por isso é que esta estação me diz tanto e é por isso que, quando termina e tu vais embora, os meus dias ficam mais frios, mesmo que lá fora seja verão.

Tenho saudades das manhãs de inverno: das nossas, de quando te tenho só para mim.