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Abr24
Maria do Rosário Pedreira
A atribuição do Nobel torna, regra geral, os autores conhecidos em países onde nunca foram publicados ou, tendo-o sido, onde não tinham mais de um ou dois livros traduzidos. Não foi exactamente o caso de Jon Fosse, o último contemplado, que até já tinha cá o seu atento editor, embora muita gente se tenha estreado como seu leitor só depois do anúncio do prémio. Recentemente, Itamar Vieira Junior teve a alegria de ver Torto Arado nomeado para o International Booker Prize: e, curiosamente, desde a nomeação já muitos editores estrangeiros se interessaram pelo livro, apesar de este estar já vendido em mais de vinte países! Por outro lado, publiquei no final do ano passado o maravilhoso romance vencedor do Prémio Campiello em Itália (e de mais três outros prémios) chamado As Minhas Estúpidas Intenções, de Bernardo Zannoni; e, ainda que o prémio seja importantíssimo no país de origem, em Portugal ninguém ligou a mínima ao livro. Também me lembro de andarmos todos há vinte anos atrás dos romances que ganhavam o prémio Goncourt, e hoje já poucos leitores saberão quem foram os irmãos Goncourt e que prémio é este (aliás, cada vez se publicam menos escritores franceses cá na terrinha). Em diferentes épocas, a agulha dos prémios muda de zona geográfica; falo por mim: há já uns anos que nem reparo em quem ganha em Espanha o Prémio Planeta...