![]() |
| Fotografia da minha autoria |
«É preciso ver o que não foi visto,
ver outra vez o que se viu já»
A minha alma palpita só pela possibilidade de os meus passos se reencontrarem com o trilho deste território amuralhado, cuja mística e energia tiveram sempre lugar nas minhas recordações especiais. Há locais para os quais reservamos saudades infinitas, por isso é que o regresso implica uma explosão afetiva. Emocional. Sobretudo, quando o tempo em que permanecemos afastados é longo. Porém, há traços inesquecíveis. E laços que nunca se soltam. Perpetuando um conforto semelhante àquele que sentimos quando chegamos a casa.
Óbidos: Vila Natal, Feira do Chocolate, Vila Literária. Há mil designações pelas quais podemos conhecer este município medieval. E todas elas contribuem para contar a sua história mágica. Sendo um dos locais mais bonitos do nosso país, é fácil perdermo-nos pelas suas ruas e pelos detalhes que as tornam únicas. Imperdíveis. Apaixonantes. O seu centro histórico, cercado por uma fortaleza «com ameias clássicas», transforma-se num percurso algo labiríntico, onde podemos observar casas pintadas de branco, com «toques de tinta amarela e azul», e decoradas com flores. Esta vila é, portanto, um autêntico charme. E convida-nos não só para uma visita demorada, como também para pernoitarmos por cá, desfrutando do seu ambiente noturno.
No topo da colina, há um castelo que atrai toda a nossa atenção. Mas até chegarmos aos seus encantos, vamos embarcar numa viagem fabulosa e rica sensorialmente. A entrada principal é a Porta da Vila - com um «interior revestido de azulejos», atualmente em manutenção -, que nos encaminha para a Rua Direita e para uma série de estímulos visuais, pois somos rodeados de casas, lojas de artesanato, restaurantes, galerias de arte e buganvílias, que eu adoro. Há uma certa urgência e um pulsar de vida que nos aumenta a vontade de continuar e de explorar cada recanto. Percorrer as suas ruas proporciona-nos, ainda, um contacto com vários estilos arquitetónicos, que resistiram à passagem do tempo, tornando Óbidos numa verdadeira obra de arte.
Prosseguindo o passeio, não resisti a entrar na Livraria do Mercado. E, depois, rendi-me a observar a Igreja Matriz de Santa Maria, que se «ergueu sobre as fundações de um templo visigótico, convertido em mesquita»; o Museu de Óbidos, cuja «exposição permanente é uma viagem pela produção artística e pela devoção religiosa»; a Igreja de São Pedro, «reconstruída após o terramoto de 1755»; e a Igreja de São Tiago, situada contiguamente ao castelo. Esta foi, então, a última etapa do nosso trajeto e deixou-me sem palavras, uma vez que recuperou dos danos causados pelo terramoto, sendo «classificado como Monumento Nacional». Uma particularidade interessante é que, desde 1951, alberga a Pousada de Óbidos», que «ocupa o paço de estilo Manuelino». Neste dia, não pude evitar reparar na existência de um Dragão. Confesso que não sei justificar o propósito, mas, ainda assim, foi um elemento que me fez esboçar um sorriso largo - por razões óbvias.
É sempre um privilégio regressar a Óbidos, até porque parece-me mais bonita a cada reencontro. A sua identidade fotogénica, como li algures numa crítica, usufrui do passado para se impulsionar no futuro, demonstrando que a vila não estagnou. Muito pelo contrário. Dentro de muralhas, permitam-se contagiar pelos livros, pela ginja, pela tradição, pela componente biológica e por toda a cultura que a torna paragem obrigatória. Além disso, as suas histórias de amor são um excelente pretexto para nos entregarmos a este museu aberto ao mundo.
Na despedida, suspirei promessas de nos voltarmos a ver. E para que a ausência seja mais fácil de suportar, deixei que o meu olhar captasse as linhas do Aqueduto e do Santuário do Senhor da Pedra, enquanto a vila se perde de vista, mas sempre presente no meu peito.
Já conhecem Óbidos?
